CHINA PEDE AOS EUA “LIBERTAÇÃO IMEDIATA” DE MADURO E SUA ESPOSA
Comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China fala em “clara violação do direito internacional” nos ataques dos EUA à Venezuela e sequestro de Maduro
AChina, uma das principais potências aliadas ao governo da Venezuela, se manifestou na manhã deste domingo (4) sobre o ataque dos Estados Unidos ao país latino-americano e sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês classifica o ataque dos EUA à Venezuela como uma “clara violação do direito internacional”, pedindo pela “libertação imediata” de Maduro e sua esposa.
“A China expressa profunda preocupação com o fato de os Estados Unidos terem capturado à força o presidente Nicolás Maduro e sua esposa e os terem retirado do país. A ação dos EUA constitui uma clara violação do direito internacional, das normas básicas das relações internacionais e dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas. A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que os libertem imediatamente, que cessem a derrubada do governo da Venezuela e que resolvam as questões por meio do diálogo e da negociação”, diz a nota.
Lula reage ao sequestro de Maduro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou na manhã deste sábado (3) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Forças estadunidenses bombardearam nesta madrugada instalações militares e outros alvos em Caracas e cidades próximas e sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa.
Em nota divulgada nas redes sociais, Lula condenou os ataques e o sequestro de Maduro, classificando a ofensiva dos EUA como uma “afronta gravíssima”.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu Lula.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, prosseguiu o presidente brasileiro.
Governo Lula reconhece vice de Maduro como presidenta da Venezuela
Após o golpe militar promovido pelos Estados Unidos contra a Venezuela, Donald Trump se apressou em divulgar que, a partir de agora, passaria a governar o país da América do Sul. Porém, o Brasil pensa diferente.
A ministra das Relações Exteriores substituta, Maria Laura da Rocha, durante coletiva de imprensa neste sábado (3), confirmou que o governo Lula reconhece a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como líder interina do país após o sequestro do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos EUA.
“Na ausência do atual presidente, [Nicolás] Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, declarou Maria Laura, depois de participar de uma nova reunião no Itamaraty para tratar dos desdobramentos da ofensiva americana contra o governo venezuelano.
O encontro teve, ainda, a participação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e foi acompanhado virtualmente pelo presidente Lula (PT).
As autoridades debateram os impactos políticos, diplomáticos e regionais da ação militar, considerada a maior intervenção dos Estados Unidos na América Latina em décadas.
Outras reações pelo mundo ao ataque à Venezuela
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que incluiu bombardeios em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, provocou fortes e divergentes reações internacionais. Rússia, Irã e Cuba condenaram duramente a operação. O governo russo classificou a ação como um “ato de agressão armada” e afirmou que os pretextos apresentados por Washington são “insustentáveis”. O Irã denunciou a “violação da soberania e da integridade territorial” venezuelanas, enquanto o presidente cubano Miguel Díaz-Canel acusou os Estados Unidos de praticar “terrorismo de Estado” contra o povo venezuelano e a América Latina.
Na América do Sul, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou os ataques “com mísseis” a Caracas, alertou para o risco de escalada militar e defendeu a convocação urgente do Conselho de Segurança da ONU para evitar uma maior desestabilização regional.
Na Europa, as posições foram divididas. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que seu governo não reconhecerá “uma intervenção que viole o direito internacional” e pediu respeito à “Carta das Nações Unidas”, colocando o país à disposição para atuar como mediador em uma saída negociada. Em sentido oposto, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou apoio à ofensiva norte-americana, defendeu que a “transição que se avizinha deve ser pacífica e democrática” e disse que a França permanece “mobilizada e vigilante”.
A União Europeia adotou um tom cauteloso, reiterando a necessidade de “contenção”, de proteção da população civil e de uma “solução política negociada”, sem endossar explicitamente a ação militar dos Estados Unidos.