ADPF REPUDIA PROJETO DE LEI ANTIFACÇÃO DE GUILHERME DERRITE

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O texto proposto contém medidas que visam submeter a atuação da Polícia FEderal (PF) a interferências políticas e burocráticas.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou profunda preocupação e repúdio em relação ao parecer preliminar substitutivo do Projeto de Lei Antifacção, de autoria do Deputado Federal Guilherme Derrite (PP-SP), em tramitação na Câmara dos Deputados.

O texto proposto contém medidas que visam submeter a atuação da Polícia Federal (PF) a interferências políticas e burocráticas. A ADPF também critica a exigência de autorizações de autoridades estaduais ou municipais para o exercício de competências que são exclusivas da União.

Essa exigência é vista como uma tentativa perigosa de enfraquecer a ação da PF, criando ‘obstáculos absurdos’ e abrindo ‘brechas para a impunidade e a blindagem da criminalidade organizada’.

A Associação reforça que a legislação garante à PF responsabilidade e poder para investigar o crime organizado sem subordinação local e sem necessidade de autorização prévia, e que condicionar essa atuação representa ‘ingerência indevida’ e fragiliza a resposta do Estado.

A ADPF conclama o Parlamento a preservar as prerrogativas constitucionais da Polícia Federal e a rejeitar a proposta, que considera um retrocesso nas políticas de combate às organizações criminosas.

O Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/2025) e o parecer preliminar substitutivo do Deputado Guilherme Derrite (PP-SP) geraram intensa controvérsia e notas de repúdio, especialmente por parte da Polícia Federal.

O Projeto de Lei Original do Governo

O PL 5582/2025 foi proposto pelo Poder Executivo (Governo Federal, sob o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski). O objetivo original era endurecer penas e ampliar instrumentos legais para o combate e a descapitalização de facções criminosas e do crime organizado.

Pontos do projeto original:

  • Criação de novos tipos penais e agravamento de penas para participantes de organizações criminosas.
  • Previsão de medidas para fortalecer a investigação e o combate ao poder econômico das facções.
  • Atribuição à PF de coordenar a cooperação internacional contra o crime organizado.

A Controvérsia do Relatório Derrite

O Deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator designado, apresentou um parecer substitutivo que introduziu mudanças significativas e polêmicas, desagradando o Governo, a PF e outros órgãos.

Principais Mudanças e Controvérsias:

  • Restrição à Atuação da PF: O ponto mais criticado, e que motivou a nota da ADPF, era a tentativa de condicionar a atuação da Polícia Federal em operações conjuntas contra facções criminosas à solicitação ou autorização de autoridades estaduais ou municipais. Isso foi visto como uma manobra para retirar a autonomia constitucional da PF e criar obstáculos burocráticos à investigação.
  • Equiparação a Terrorismo: O relatório preliminar de Derrite também propôs equiparar a atuação de facções criminosas ao crime de terrorismo, tema que o Governo e o Ministério Público viam com cautela e que tramita em outro projeto.
  • Blindagem de Parlamentares: Críticos do relatório (como o Deputado Lindbergh Farias) alegaram que o texto poderia, indiretamente, retomar uma proposta de “blindagem” a parlamentares, enfraquecendo investigações que envolvam políticos.

Recuo Parcial:

Devido à forte reação (da PF, do Ministério da Justiça e da Receita Federal), o relator apresentou uma nova versão do parecer, onde recuou em parte da restrição à PF, garantindo que a corporação possa participar das investigações em caráter cooperativo quando a matéria for de sua competência constitucional. No entanto, mesmo com o recuo, a redação ainda gerou insegurança jurídica quanto à transferência automática de casos para a Justiça Federal.


Posição de Outros Órgãos e Partes

Órgão/Grupo Posição Principal Pontos de Crítica/Alerta
Polícia Federal (PF) Contra as mudanças no relatório de Derrite. Alertou que o texto inicial de Derrite era inconstitucional, comprometia a autonomia operacional da PF, limitava o alcance das investigações e representava um “verdadeiro retrocesso” no combate ao crime organizado.
Ministério da Justiça e Segurança Pública A favor do projeto original; Contra o substitutivo de Derrite. Considerou as alterações de Derrite (como a restrição à PF) um “presente para o crime organizado” e uma subversão total do projeto enviado pelo Governo.
ANPR (Assoc. Nacional dos Procuradores da República) Crítica ao projeto do Governo e ao de Derrite. Considerou os projetos “desproporcionais e insuficientes”. Apontou a timidez legislativa em relação ao endurecimento de regimes, ao monitoramento tecnológico e à ampliação de unidades prisionais federais de segurança máxima como uma grave lacuna.
Líderes de Oposição (Câmara) A favor do relatório de Derrite. Defendem que o relator é qualificado e que as mudanças buscam a eficiência da polícia e o combate efetivo, propondo uma resposta mais resolutiva ao crime organizado.

A tramitação do PL tem sido acelerada, com o Governo solicitando mais tempo para negociação, enquanto a votação no Plenário da Câmara dos Deputados foi marcada para breve.

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo das entrevistas. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

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