POR QUE GIDEON LEVY TEM O DIREITO DE DIZER ISSO, E NÓS NÃO?

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 29 de julho de 2025 –

Reprodução

 

 

Por que Gideon Levy tem o direito de dizer isso, e nós não?

 

“Israel está implementando um plano nazista de limpeza étnica em Gaza”, escreveu recentemente no Haaretz o jornalista israelense, antigo oponente do colonialismo israelense e defensor do boicote ao Estado.

                                                                                        Gideon Levy

A liderança israelense não está mais agindo apenas em reação ao Hamas, mas está buscando estrategicamente o objetivo de esvaziar a Faixa sitiada de seus habitantes palestinos, enfatizou.

Em seu artigo publicado no Haaretz, Levy compara as políticas israelenses aos métodos usados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial para facilitar a emigração de judeus. Na época, uma agência central foi criada para esse fim, chefiada por Adolf Eichmann.

Ele ressalta que Joseph Brunner, pai do atual chefe do Mossad, David Barnea, tinha apenas três anos quando fugiu da Alemanha nazista com seus pais, antes da implementação do plano de evacuação dos judeus.

O jornalista relata que David Barnea, neto de um refugiado judeu que fugiu da limpeza étnica nazista, viajou a Washington na semana passada para discutir a evacuação dos moradores de Gaza. O Canal 12 de Israel noticiou que Barnea informou autoridades americanas de que Israel havia entrado em negociações com três países para convencê-los a aceitar os palestinos deslocados à força.

Levy está indignado com a trágica ironia da história, onde Barnea — um descendente de vítimas do nazismo — fala abertamente sobre limpeza étnica contra palestinos sem sequer mencionar a memória do Holocausto.

O artigo revela que a primeira fase do plano para expulsar dois milhões de palestinos incluiria a transferência de um grande número deles para um campo de detenção, a fim de facilitar um processo de deportação mais eficiente.

O relatório observa que a BBC publicou recentemente uma reportagem investigativa baseada em imagens de satélite, mostrando a destruição sistemática realizada pelo exército israelense em toda a Faixa de Gaza: vilas inteiras estão sendo varridas do mapa para a construção de um campo de detenção, tornando impossível qualquer vida futura na área.

Levy escreve que Israel está silenciosamente cometendo um crime contra a humanidade, destruindo metodicamente todas as possibilidades de vida na região, enquanto prepara a infraestrutura para reunir palestinos em uma “cidade humanitária” que serviria como campo de trânsito antes de sua deportação para a Líbia, Etiópia e Indonésia — destinos citados por Barnea, segundo o Canal 12.

Ele descreve isso como um plano de longo prazo para limpeza étnica, afirmando que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não pode mais ser responsabilizado por travar uma guerra sem propósito: “De fato, há um objetivo, e é um objetivo criminoso.”

Levy conclui que os soldados israelenses não estão morrendo sem motivo: eles estão morrendo em uma guerra de limpeza étnica.

Segundo ele, embora o projeto de “ajuda humanitária” já tenha custado a vida de centenas de palestinos, o plano de deportação pode matar dezenas de milhares, alertando que nenhum obstáculo parece ser capaz de impedir Israel de executar seu plano, sugerindo um certo grau de cumplicidade internacional.

Em uma comparação carregada, Levy conclui seu artigo referindo-se a David Barnea não como o chefe do Mossad, mas como o chefe da “nova agência central para a emigração palestina”. Ele o descreve como “um alto funcionário obediente, que nunca causou atrito com seus superiores”. Ele pergunta: “Isso não lhe lembra de nada?”. E conclui: “Se ele for solicitado a preparar a deportação de milhões de pessoas, é uma tarefa que não lhe representará problemas. Afinal, ele está apenas cumprindo ordens.”

Fonte: Haaretz

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