ILÚ OBÁ DE MIN FAZ LAVAGEM DA RUA 13 DE MAIO, EM SP: “VAMOS LAVAR A MENTIRA DA ABOLIÇÃO”
Grupo ocupa Bixiga às 18h com arte e denúncia para marcar os 137 anos da “falsa abolição” da escravidão no Brasil
Lavagem da escadaria da rua Treze de Maio, em 2024 – Rovena Rosa/Agência Brasil
“O nosso entendimento é de que essa abolição não aconteceu de fato, então o que fazemos é lavar uma mentira, a mentira da abolição”, afirma Pettine, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Esse ato é um cortejo, um festejo, mas sobretudo uma denúncia porque há 137 anos a população negra continua exigindo a sua verdadeira abolição, que tem a ver com direitos, educação, prestígio e dignidade.”
Fundado por mulheres negras em 2004, o Ilú Obá De Min realiza o evento desde 2006 como forma de reafirmar a presença e a resistência negra no Bixiga. Segundo Pettine, a primeira lavagem feita por mulheres negras no local remonta a 1989, e a tradição se fortaleceu como espaço de luta e celebração.
“A cada ano temos que renovar o nosso manifesto, o nosso cortejo, o nosso ato, porque sempre temos novas pautas e, infelizmente, velhas pautas”, lamenta a diretora do Ilú. “Então estamos falando de uma continuidade de luta nesses 35 anos”, complementa.
A programação começa às 18h, com concentração na escadaria da rua Treze de Maio. Às 19h, tem início o cortejo com tambores, dança, flores, água e manifestações artísticas conduzidas por uma bateria formada exclusivamente por mulheres negras. “A lavagem também é um evento feito do que temos de melhor, que é a nossa cultura, o nosso Carnaval, o nosso som, o nosso festejo, para conversar com a população do território, com a cidade de São Paulo através do tambor”, conclui Daiane.
Pettine reforça o convite aberto à população da cidade. “Todo mundo tem o dever moral de acreditar em uma sociedade justa e igualitária para todos nós. Não tem a ver só com o movimento negro, tem a ver com a gente que vive nessa cidade e compartilha essa história da cultura brasileira.”