nietzsche-colagem

19 de novembro de 2024 –

por Felipe Bueno

Há dias em que o mundo, envelhecido, percebe que o fim está chegando. Em momentos como esse, ouve uma voz, desconhecida e sedutora, avisando que as coisas, como as conhecemos, já não fazem mais sentido. Mas há uma alternativa, um caminho a seguir! A solução está ao alcance, basta seguir as orientações da voz e libertar uma nova e melhor versão de si mesmo.

Quem lê até aqui e conhece um pouco a História e as escrituras sabe que Nietzsche, cujas palavras se adequam perfeitamente ao momento em que foram ditas, na virada do século XIX para o XX, bebia em fontes muito mais antigas, e seu estilo profético e escatológico poderia ser encontrado tanto em textos sagrados de milênios antes como nos dizeres, por exemplo, de seu conterrâneo e contemporâneo Karl Marx – aliás, também para alguns, sagrado. Justo ele que era contrário a essas coisas.

Tais vozes saem de bocas geradas sob a luz e também nos subterrâneos. Em incontáveis cenários ao longo dos séculos o roteiro pouco mudou: a comunidade – uma união de medos e incertezas individuais – primeiro estranha, depois normaliza e por último em grande parte abraça as causas do encantador de serpentes da ocasião, seus exércitos, suas armas e seus totens.

O encantador de serpentes é de carne e osso; já os exércitos, as armas e os totens hoje em dia podem ser virtuais, nem precisam existir de verdade.

A cada momento em que isso aconteceu, seguiu-se uma grande escuridão. Muitas vezes, aliás, determinadas comunidades nunca mais conseguiram alcançar novamente a luz.

No fim das contas Nietzsche estava certo em pelo menos uma coisa (em várias, na verdade): enquanto precisar de ídolos, a humanidade assim será até o último dia.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

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