FELIPE BUENO: A SUBSTÂNCIA
por Felipe Bueno
Há dias em que o mundo, envelhecido, percebe que o fim está chegando. Em momentos como esse, ouve uma voz, desconhecida e sedutora, avisando que as coisas, como as conhecemos, já não fazem mais sentido. Mas há uma alternativa, um caminho a seguir! A solução está ao alcance, basta seguir as orientações da voz e libertar uma nova e melhor versão de si mesmo.
Tais vozes saem de bocas geradas sob a luz e também nos subterrâneos. Em incontáveis cenários ao longo dos séculos o roteiro pouco mudou: a comunidade – uma união de medos e incertezas individuais – primeiro estranha, depois normaliza e por último em grande parte abraça as causas do encantador de serpentes da ocasião, seus exércitos, suas armas e seus totens.
O encantador de serpentes é de carne e osso; já os exércitos, as armas e os totens hoje em dia podem ser virtuais, nem precisam existir de verdade.
A cada momento em que isso aconteceu, seguiu-se uma grande escuridão. Muitas vezes, aliás, determinadas comunidades nunca mais conseguiram alcançar novamente a luz.
No fim das contas Nietzsche estava certo em pelo menos uma coisa (em várias, na verdade): enquanto precisar de ídolos, a humanidade assim será até o último dia.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.