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A fala de Janja não vai fazer com que Musk ou Trump mudem um centímetro sua posição e não afetou o G20

Primeira dama (termo solene) mandar um potentado estrangeiro se f* pode soar forte. Mas as repercussões sobre o episódio são mais descabidas ainda.

Tudo bem, foi uma grosseria. Mas que fique claro:

  1. Não vai mudar um centímetro a posição de Elon Musk – ou Donald Trump – em relação ao Brasil.
  2. Não afetou em um centímetro a reunião do G20.
  3. No máximo, causou um “incômodo” diplomático.

Em 2018, Melania Trump visitou um abrigo de crianças migrantes separadas de suas famílias e usou, sem perceber a ocasião, um casaco com a frase “Eu realmente não me importo, e você?”. Gerou críticas globais por alguns dias e acabou.

Na campanha de Barack Obama, Michelle declarou que “pela primeira vez, tenho orgulho do meu país”. Foi acusada de ser impatriota, por não ter tido orgulho antes.

Maria Tereza Goulart, esposa de Jango, declarou certa vez que “mulher de presidente não deve dar opinião”. Foi espancada por não dar a devida relevância ao papel da mulher.

Jacqueline Kennedy, em pleno período de luto pela morte do marido, declarou que “eu odiava o casamento político”. Levou críticas de todo lado por desmerecer o papel de primeira dama.

Pat Nixon foi além: “As mulheres são melhores para cuidar de crianças”.

Eleanor Roosevelt a superou: “Cães são melhores que seres humanos”.

E o que dizer da belíssima Carla Bruni? “A monogamia me entedia”.

Foi superada pela rude franqueza de Rosalynn Carter: “A opinião pública me entedia”.

E de Barbara Bush: “Os pobres não são problema meu”.

Ou de Michele Bolsonaro, enfiando Deus no meio: “Deus escolheu meu marido para salvar o Brasil”.

Nenhuma das frases mudou um centímetro a postura política dos respectivos maridos.

No máximo, Janja será conhecida, agora, pela franqueza, por não ter papas na língua. E por servir de álibi para que dezenas de especialistas em posturas de primeira dama possam distribuir lições a torto e a direito.

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