VEREADOR DE EMBU DAS ARTES, ABIDAN HENRIQUE (PSB) É CASSADO POR DENUNCIAR GASTOS DA PREFEITURA COM SHOWS MILIONÁRIOS ENQUANTO A CIDADE ENCONTRA-SE ABANDONADA

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A prefeitura pagou R$ 620 mil pela apresentação de Léo Santana, mas alega não ter verbas para a manutenção de serviços básicos da cidade

O vereador Abidan Henrique, cassado por denunciar gastos excessivos com shows. Crédito: Arquivo pessoal

O vereador Abidan Henrique (PSB), o único opositor do governo municipal na Câmara de Embu das Artes, na Grande São Paulo, foi cassado com 14 votos nesta quarta-feira (28), pela Comissão de Ética da Casa, por quebra de decoro parlamentar. 

A decisão dos vereadores foi uma resposta às declarações de Abidan, que em outubro de 2023 publicou um vídeo após não conseguir espaço para discursar em uma sessão. O parlamentar afirmou que “os demais vereadores fugiram como ratos” e que “essa Câmara virou uma várzea e uma patifaria”. 

Na ocasião, Abidan protocolou uma ação para denunciar irregularidades na contratação dos artistas Wesley Safadão, Leonardo e Jorge e Mateus, apresentações pelas quais o município desembolsou R$ 2,6 milhões pagos adiantadamente, para evitar cancelamentos. 

Para tanto, o prefeito de Embu da Artes, Ney Santos (Republicanos), teria retirado cursos da Saúde e Segurança Pública para custear o festival Embu Country Fest. Os médicos que atuam nos hospitais públicos da cidade, porém, tiveram de amargar meses de atraso. 

Perseguição política

Desde então, Abidan afirma ser alvo dos demais colegas de casa. Inicialmente, ele receberia uma advertência pelas declarações, em processo aberto pelo presidente da Câmara, Gilson Oliveira (Republicanos). Mas o Conselho de Ética decidiu aumentar a pena, optando pela cassação. 

Prefeito, Ney Santos.

Abidan afirmou, nesta quarta-feira, que teve o processo de cassação acelerado após denunciar, novamente, o uso irregular de dinheiro público, desta vez com recursos da Secretaria de Tecnologia para bancar o show do cantor Léo Santana, em 18 de fevereiro.  

O executivo municipal desembolsou R$ 620 mil pela apresentação do cantor baiano no aniversário da cidade. O juiz de Direito André Luiz Tomasi de Queiróz, da 1ª vara Judicial de Embu das Artes, alegando que o show contraria o interesse público, já que foram demonstradas carências na prestação de serviços essenciais no município.

Como a apresentação já havia sido integralmente paga, a prefeitura conseguiu derrubar a liminar. 

Durante a defesa, Abidan ressaltou que três dias após o show de Léo Santana, a população se deparou com uma greve de ônibus. A cidade, em calamidade pública devido às enchentes, também não tem recursos para fazer manutenção em duas ruas. 

“Eu não seria contra o show se a cidade estivesse um brinco”, continuou o vereador agora cassado.

Posicionamentos

Para os vereadores, Abidan cometeu quebra de decoro parlamentar por ofender a Casa, e que não seria possível admitir tal discurso de ódio na Câmara, uma vez que o parlamentar do PSB inflamou a população contra os representantes do povo. 

O vereador Ricardo Almeida (Republicanos) afastou a hipótese de que a cassação teria sido pressionada pelo prefeito e ressaltou que sua posição pelo afastamento do colega se deu porque, ofendido, ele pediu retratação a Abidan e não foi atendido. 

Já Gideon Santos (Republicanos), o único parlamentar contrário à cassação, garantiu que a Câmara já viu ofensas piores e que não era justo cassar um representante eleito pelo povo, até porque outros vereadores cometeram delitos maiores e foram apenas advertidos. 

Camila Bezerra

Jornalista

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