BOLSONARO SABIA, MAS NÃO FEZ NADA PARA BARRAR O VACINAGATE, PATROCINADO PELO LÍDER DO GOVERNO NA CÂMARA
Da Redação Viomundo.
A compra da vacina indiana Covaxin, à qual o governo brasileiro destinou R$ 1,6 bilhão, se transformou no caso que pode levar ao impeachment de Jair Bolsonaro.
O presidente foi alertado sobre o escândalo pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF), que enviou a ele, através de um secretário, duas mensagens de texto:
Avise o PR [presidente da República] que está rolando um esquema de corrupção pesado na aquisição das vacinas dentro do Ministério da Saúde. Tenho provas e as testemunhas. Sacanagem da porra… A pressão toda sobre o presidente e esses ‘FDPs’ roubando.
Não esquece de avisar o presidente. Depois, não quero ninguém dizendo que eu implodi a República. Já tem PF e o caralho no caso. Ele precisa saber e se antecipar.
As mensagens são do dia 20 de março deste ano. Miranda foi alertado pelo irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde.
A compra das vacinas da empresa indiana Bharat Biotech, ainda em fase três de testes, foi feita por U$ 15 a dose, 5 dólares a mais que as vacinas da Pfizer e Janssen.
Foi a única compra em que o governo federal utilizou um intermediário, a empresa Precisa, cuja sócia é a Global Gestão em Saúde S. A.
Foi, também, a negociação mais rápida: apenas três meses.
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde no governo Temer, atuou em defesa do interesse das empresas.
Foi ele o autor da emenda que permite a importação de vacinas sem registro na Anvisa.
Na sua emenda, Barros acrescentou especificamente a Central Drugs Standard Control Organization (CDSCO), equivalente indiana da Anvisa, como órgão habilitado a autorizar o uso da vacina.
Barros está sob investigação por improbidade administrativa justamente por suspeita de favorecimento à Global Saúde quando era ministro.
Em 2017, a Global recebeu R$ 20 milhões antecipados para comprar remédios contra doenças raras, mas nunca cumpriu o contrato.
O deputado Luís Miranda e o irmão foram convocados para depor na CPI da Pandemia na próxima sexta-feira.
Miranda disse que visitou pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro, ao lado do irmão, para fazer a denúncia, mas não recebeu retorno.
O caso está sob investigação do MPF. Ao depor, o irmão do deputado confirmou que sofreu pressão incomum para autorizar o negócio.
Ele atribuiu as pressões ao tenente-coronel do Exército Alex Lial Marinho, na época coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde.
O empresário Francisco Emerson Maximiano, dono da Global e da Precisa, deixou de comparecer à CPI alegando que estava cumprindo quarentena, depois de voltar da Índia.
Ele teve os sigilos quebrados pela CPI e deve depor na semana que vem.
