MOVIMENTOS DO CAMPO CONSTROEM PLATAFORMA COMUM PARA ENFRENTAR AGRONEGÓCIO E DEFENDER TERRITÓRIOS
afinsophia 06/09/2026 0
TEMPO DE LUTAS
Após três dias de debates, organizações definem prioridades e caminhos de luta para os próximos anos
- SALVADOR (BA)
- RODRIGO GOMES
Após três dias de debates, 60 movimentos e organizações populares chegaram a uma convergência que inclui propostas de mobilizações, enfrentamento ao agro, defesa da soberania dos povos sobre seus territórios e um novo modelo de agricultura, entre outros pontos. O Encontro do Campo Unitário, realizado na Bahia entre os dias 3 e 5 de setembro, estabeleceu uma plataforma de pautas convergentes dos movimentos populares do campo, das águas e das florestas.
Para ele, um dos pontos principais é elaborar e compreender qual é a nova realidade de atuação do capitalismo no campo, para que os movimentos possam articular melhor a luta. “A esquerda, bem como as organizações do campo, nos últimos 40 anos, lidou com um tipo de capitalismo agrário que foi inovando. Precisamos elaborar quem é esse novo agronegócio, para entender qual é o capitalismo que estamos enfrentando”, afirmou.
Entre os pontos que precisam ser melhor compreendidos e enfrentados diante do avanço do capital sobre os territórios, Rodrigues citou as grandes empresas que promovem megaprojetos de transição energética; a exploração de terras raras, presentes nos territórios dos povos do campo, das florestas e das águas; a privatização das águas; a precarização das relações de trabalhos assalariados do campo; e o aumento do consumo do agrotóxico no Brasil.
“É necessária uma agenda comum para fazer a disputa pelo orçamento. Hoje o orçamento está capturado pelo Congresso. De que forma podemos fazer essa disputa? Nesse momento, cabe colocar a importância de eleger parlamentares comprometidos com as lutas do nosso campo. O plano safra precisa ser democratizado; falta ainda direcionamento de recursos para a produção agroecológica e sustentável”, complementou.
Os movimentos vão preparar um calendário de lutas que inclui mobilizações de massa, agendas de diálogo com os governos eleitos para apresentar as prioridades para o próximo período e uma proposta de organização para confrontar o agronegócio e proteger os movimentos dos ataques da direita. A sistematização das propostas deve ser divulgada nos próximos dias.
O evento reuniu 60 organizações, dentre elas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores, a Via Campesina Brasil, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Movimento de Mulheres Camponesas (MMC).