MOVIMENTOS DO CAMPO CONSTROEM PLATAFORMA COMUM PARA ENFRENTAR AGRONEGÓCIO E DEFENDER TERRITÓRIOS

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TEMPO DE LUTAS

Após três dias de debates, organizações definem prioridades e caminhos de luta para os próximos anos

Objetivo do encontro foi estabelecer uma agenda comum dos povos do campo, da floresta e das águas | Crédito: Rodrigo Gomes/BdF

Após três dias de debates, 60 movimentos e organizações populares chegaram a uma convergência que inclui propostas de mobilizações, enfrentamento ao agro, defesa da soberania dos povos sobre seus territórios e um novo modelo de agricultura, entre outros pontos. O Encontro do Campo Unitário, realizado na Bahia entre os dias 3 e 5 de setembro, estabeleceu uma plataforma de pautas convergentes dos movimentos populares do campo, das águas e das florestas.

“Construímos um documento que orienta a esquerda brasileira a atualizar o debate político sobre o campo”, resumiu o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues.

Para ele, um dos pontos principais é elaborar e compreender qual é a nova realidade de atuação do capitalismo no campo, para que os movimentos possam articular melhor a luta. “A esquerda, bem como as organizações do campo, nos últimos 40 anos, lidou com um tipo de capitalismo agrário que foi inovando. Precisamos elaborar quem é esse novo agronegócio, para entender qual é o capitalismo que estamos enfrentando”, afirmou.

Entre os pontos que precisam ser melhor compreendidos e enfrentados diante do avanço do capital sobre os territórios, Rodrigues citou as grandes empresas que promovem megaprojetos de transição energética; a exploração de terras raras, presentes nos territórios dos povos do campo, das florestas e das águas; a privatização das águas; a precarização das relações de trabalhos assalariados do campo; e o aumento do consumo do agrotóxico no Brasil.

Vânia Marques Pinto, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), defendeu que a plataforma deve ter como norte a defesa dos territórios e da vida. “Que fique clara a defesa dos nossos territórios, a luta pela reforma agrária, a defesa da água. Nós temos visto quanto o capitalismo tem investido contra os nossos territórios”, afirmou.

“É necessária uma agenda comum para fazer a disputa pelo orçamento. Hoje o orçamento está capturado pelo Congresso. De que forma podemos fazer essa disputa? Nesse momento, cabe colocar a importância de eleger parlamentares comprometidos com as lutas do nosso campo. O plano safra precisa ser democratizado; falta ainda direcionamento de recursos para a produção agroecológica e sustentável”, complementou.

Os movimentos vão preparar um calendário de lutas que inclui mobilizações de massa, agendas de diálogo com os governos eleitos para apresentar as prioridades para o próximo período e uma proposta de organização para confrontar o agronegócio e proteger os movimentos dos ataques da direita. A sistematização das propostas deve ser divulgada nos próximos dias.

O evento reuniu 60 organizações, dentre elas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores, a Via Campesina Brasil, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Movimento de Mulheres Camponesas (MMC).

Editado por: Camila Salmazio

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