FILÓSOFO VICTOR LEANDRO*: AMAZONAS E O CAOS EDUCACIONAL – PARA QUE SERVE A UNIVERSIDADE MESMO?
Mais de um ano se passou, e a educação no estado que em janeiro foi epicentro mundial da pandemia só viu suas pioras. Retorno precoce às aulas, professores lutando fragmentados contra o governo opressor, morte de docentes, acusações ridículas de indolência, aulas remotas sem amparo institucional, evasão de alunos, pais sem condições de acompanhar os filhos. Tudo isso foi o que se viu, no que o impasse prossegue em uma catástrofe patética de repetidos erros.
Mas, e a universidade, a tão falada academia? Sem dúvida, padeceu quase que dos mesmos problemas. Porém, considerando a natureza de sua tarefa, isso mais parece um comodismo indiferente. Pois se as instituições de ensino superior não tinham meios corretos para prosseguir suas práticas de ensino, não houve tantos obstáculos assim que a impedissem de cumprir outras de suas tarefas, como a de intervir social, política e pedagogicamente de modo efetivo, a fim de promover investigações que pudessem gerar direcionamentos e saídas para as degradações que nos acometeram.
Num mundo ideal, tão logo os problemas surgissem, as universidades públicas e privadas criariam algum tipo de fórum educacional emergencial, com o objetivo de debater estratégias educacionais que norteassem os sistemas de ensino, com ampla publicização de seus debates e considerando as demandas próprias da região.
Já no real, afora tentativas isoladas, houve silêncio e propagação inanalisada do mal-estar social.
Se a universidade, enquanto reserva crítica e pública de um povo, não cumpre integralmente sua missão, ela de pouco tem serventia. Se seus intelectuais não se portam como trabalhadores e operários e vão à luta, eles não passam de arautos do pedantismo e meros carreiristas. Mantê-la nesses termos é contribuir para sua mediocrização.
A universidade, para que serve? Se a questão é séria e honesta, trata-se de uma boa pergunta.