MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INVESTIGA ÁUDIO COM AMEAÇAS EM TERRAS GUARANI KAIOWÁ: “MATAR ESSAS PRAGAS PELA ÁGUA”

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Órgão dá prazo de 48 horas para prefeitura apurar envenenamento de terras indígenas no MS; denúncia foi feita pela deputada federal Célia Xakriabá

Por: Julinho BittencourtPUBLICADO: 29/10/2026 –  MIN DE LEITURA
Deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) relatou projeto que concede reparação histórica a trabalhadores rurais enganados pela ditadura – Célia Xakriabá/Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

 

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OMinistério Público Federal (MPF) deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, preste esclarecimentos sobre ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá. A denúncia, que ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais, foi encaminhada a órgãos federais e motivou pedidos de investigação da deputada federal Célia Xakriabá (Psol) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Em publicação nesta terça-feira (27), Célia Xakriabá afirmou que solicitou a apuração do caso após receber relatos de lideranças indígenas sobre uma suposta contaminação da água no território. Segundo a denúncia, um áudio compartilhado pelo WhatsApp registra a fala de um dos envolvidos, que teria defendido a violência contra a comunidade: “matar essas praga [sic] pela água”.

A parlamentar alertou que os Guarani Kaiowá já enfrentam dificuldades de acesso à água potável e dependem do abastecimento por caminhões-pipa. Nesse contexto, uma eventual contaminação do recurso representaria uma ameaça direta à saúde e à vida dos moradores.

Após o resultado do segundo turno

A denúncia foi encaminhada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, ao MPF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso chegou à esfera eleitoral porque as ameaças teriam ocorrido em meio às tensões posteriores à divulgação do resultado das eleições presidenciais.

Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) também solicitaram a investigação das ameaças. As pastas informaram ainda que estão acompanhando denúncias de violência contra comunidades quilombolas e povos de terreiro registradas após o segundo turno.

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