CPI DA CLOROQUINA JÁ: ELA PODE DERRUBAR BOLSONARO

 

Por Rogério Correia*

Há quase seis meses está protocolado na Câmara pedido de CPI para investigar a produção em massa de cloroquina para “combater” a covid, levada a cabo pelo governo Bolsonaro.

De minha autoria, a proposta de CPI se faz necessária porque o governo gastou muito dinheiro e tempo para algo que desde antes já era contestado pela comunidade científica em todo o mundo.

O governo Bolsonaro certamente tem medo da CPI da Cloroquina.

Temos certeza de que, se uma investigação séria for feita pela CPI, descobriremos muita coisa errada.

A tal ponto de justificar, sem contestação, o impeachment do pior presidente da história brasileira.

Um comandante militar do Rio chegou a justificar o preço em dólar 77% superior na compra da cloroquina pelo governo/Exército, afirmando que eram cotações “de mercado”. Não convenceu ninguém.

Agora, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz ser “inevitável” uma CPI para investigar “toda a desorganização, falta de capacidade de logística e de entrega de equipamentos e insumos aos estados e municípios”.

Não precisamos esperar tanto. O pedido já está protocolado por mim na Mesa da Câmara.

Basta ser aceito pela Mesa e começarmos os trabalhos.

O caso é ainda mais grave diante da nova notícia de que médicos do Hospital da FAB denunciam pressão, coação e represálias para que a hidroxocloroquina seja receitada a pacientes com covid.

Muito estranha essa obsessão do governo por um medicamento sem eficácia contra a pandemia.

Mais uma vez: por que o medo da CPI da Cloroquina?

No último fim de semana, o médico francês Didier Raoult admitiu pela primeira vez que a cloroquina não reduz a mortalidade ou agravamento da doença.

Detalhe: ele era até outro dia o principal promotor da substância em todo o mundo.

Não faltaram bolsonaristas, aqui no Brasil, a usar os argumentos de Raoult para defender a cloroquina – estão calados agora, após a confissão do microbiologista francês.

Precisamos investigar a fundo por que Bolsonaro autorizou, ou até determinou, um gasto tão grande em algo inútil.

*Rogério Correia é  deputado federal (PT-MG)

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