DEPOIS DE FAZER PROPAGANDA DO KIT PAZUELLO, GENERAL DIZ QUE NUNCA RECOMENDOU TRATAMENTO COM CLOROQUINA; VÍDEO DESMENTE

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19/01/2021.

Depois da facada não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, tá ok? Jair Bolsonaro, 20/03/2020

No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão. Jair Bolsonaro, 24/03/2020, em discurso oficial na TV

Da Redação

O trato de integrantes do governo Bolsonaro com a verdade é bastante tênue.

O exemplo vem de cima. Em novembro do ano passado, quando o Brasil já caminhava célere para as 200 mil mortes por covid 19, Bolsonaro disse que nunca tinha comparado a covid 19 a uma “gripezinha”.

Contando com o beneplácito de seus seguidores, que aceitam qualquer explicação, ele disse que na verdade tinha falado em “gripezinha” no contexto de seu próprio estado físico, “de atleta”, não da doença em geral.

A adaptação do discurso à realidade foi uma marca do comportamento de Donald Trump nos Estados Unidos ao longo da pandemia.

No Brasil, um dos principais “conselheiros” do bolsonarismo na área médica, o deputado Osmar Terra, chegou a dizer que a covid em todo o país não mataria mais que a gripe comum em uma temporada de frio no Rio Grande do Sul.

Terra também fez a famosa previsão de que a pandemia terminaria em junho de 2020.

O médico e deputado segue dando palpites nas redes sociais, ainda que desmoralizado por suas próprias previsões furadas.

Agora chegou a vez do ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello.

Em entrevista, ele disse que nunca nomeou remédios para enfrentar a covid e jamais defendeu tratamento precoce, mas atendimento precoce.

“A senhora nunca me viu receitar, dizer, colocar para as pessoas tomarem este ou aquele remédio. Nunca. Não aceito a sua posição. Eu nunca indiquei medicamentos a ninguém, nunca autorizei o Ministério da Saúde a fazer protocolos indicando medicamentos”, afirmou Pazuello.

No entanto, o Ministério da Saúde divulgou, sim, em maio do ano passado, uma “orientação para prescrição em pacientes adultos” de várias drogas para as quais não existe comprovação científica.

Além disso, quando foi contaminado pela covid, em outubro passado, Pazuello recebeu a visita do presidente Jair Bolsonaro. 

Os dois gravaram um vídeo em que a orientação é clara: pacientes devem procurar atendimento assim que sentirem os primeiros sintomas e pedirem para tomar hidroxocloroquina.

Caso um médico se negue a prescrever, diz Pazuello no vídeo, outro médico deve ser chamado para fazer a receita.

Bolsonaro usa o vídeo para tentar demonstrar que Pazuello foi curado pelas drogas que o próprio presidente, que não é médico, decidiu receitar.

No caso da hidroxicloroquina e da cloroquina, Donald Trump também fez propaganda de ambas.

Ele chegou a fazer “tratamento preventivo” com a droga, mas mesmo assim pegou covid meses depois.

Cientistas dizem que a droga contra a malária pode causar efeitos adversos, como ataques cardíacos.

Tanto o Centers for Disease Control (CDC) quando o National Institutes of Health, dos Estados Unidos, quanto a agência de saúde da União Europeia não recomendam as drogas “receitadas” por Bolsonaro.

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ao aprovar duas vacinas em caráter de emergência no Brasil, frisou que não existem alternativas de tratamento ao coronavírus.

Nos EUA, Trump desistiu de propagandear a droga e mandou milhões de doses para o Brasil, que acelerou a sua própria produção. O governo federal exerce pressão sobre governos locais para adotar o kit covid.

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