ALDO FORNAZIERI: ESQUERDA COM LÓGICA BOLSONARISTA COMETEU ERROS QUE NA EUROPA TERIAM DERRUBADO DIREÇÕES PARTIDÁRIAS
Da Redação Viomundo.
“O partido está acéfalo”.
“O PT precisa ser resgatado, sequestrado que está pela burocracia”.
“É certo dizer que a sociedade que deu origem ao PT não existe mais. Tudo mudou. Os dirigentes e políticos do PT também mudaram. Só que para pior.”
Com frases assim ácidas, o sociólogo e professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP), Aldo Fornazieri, provocou uma reação igualmente aguda da militância do PT.
Não foi o único, depois do fracasso do partido nas eleições municipais de 2020.
O professor Marcos Coimbra acredita que as eleições foram atípicas, por causa da pandemia: a esquerda não pode fazer o que faz melhor, que é militar nas ruas.
Em outro extremo, integrantes de tendências do PT chegaram a pedir a mudança da direção da sigla, o que a presidenta Gleisi Hoffmann classificou como “golpe”.
O ex-presidente Lula chamou para si a responsabilidade pelas decisões tomadas.
Aldo pontua, no entanto, que é comum na Europa a troca de direções partidárias depois de resultados eleitorais negativos.
As críticas de Aldo, como você mesmo pode ver na entrevista acima, não são dirigidas a Lula, nem mesmo exclusivamente ao PT.
Ele acha que a lógica da esquerda em geral tem ecos de bolsonarismo, quando se tenta interditar o debate sobre o fracasso relativo dela nas recentes eleições.
Critica caciques como o ex-governador baiano Jaques Wagner, que já se lançou pré-candidato ao Planalto.
E sugere que dirigentes do PT, Psol e PCdoB desconheçam o palavrório de Ciro Gomes, pois Aldo ainda vê no horizonte a possibilidade de uma frente de esquerda que atraia o PDT e o PSB — seria a única saída para evitar uma disputa entre João Doria e Jair Bolsonaro no segundo turno em 2022.
Fornazieri está longe de ser antipetista, foca suas críticas no PT por ser o maior partido de esquerda do Brasil e um dos maiores do mundo.
Ele acredita que a máquina partidária está sob controle dos mandatos, cuja lógica é não balançar o barco e tentar se reproduzir na próxima eleição.
E agora, segundo o sociólogo, é hora de balançar o barco.