VEJA: MILICIANO ADRIANO TINHA RELAÇÃO FINANCEIRA UMBILICAL COM QUEIROZ – E PAGOU PARTE DA CONTA DO EINSTEIN

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14/11/2020.

Da Redação Viomundo.

A edição deste final de semana da revista Veja expõe a íntima relação financeira entre o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da PM do Rio de Janeiro, e o também ex-PM, subtenente Fabrício Queiroz, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como testa-de-ferro no esquema de corrupção que beneficiou o clã Bolsonaro.

Adriano foi assassinado pela PM baiana no início deste ano, quando estava foragido.

De acordo com a Veja, Adriano pagou R$ 80 mil da conta do Hospital Albert Einstein, onde Queiroz foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno. O valor total foi de R$ 135 mil, pagos em dinheiro vivo.

Também de acordo com a revista, Adriano tinha um faturamento mensal de ao menos R$ 250 mil com a exploração de jogos ilegais, grilagem de terras na Zona Oeste do Rio e venda e aluguel de imóveis construídos ilegalmente.

Adriano emplacou a mãe, Raimunda, no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro como funcionária fantasma, assim como a ex-mulher Danielle.

Raimunda Veras recebeu R$ 252.699,00 reais enquanto trabalhou no gabinete de Flávio e do total sacou 94,67% em dinheiro.

No caso de Danielle, o falso emprego era uma espécie de pensão para a ex-mulher.

Esta é a explicação para o fato de Danielle só ter devolvido pouco mais de 20% do que recebia para Queiroz, do total de R$ 776.343,00 embolsados.

Outros participantes do esquema chegaram a devolver entre 80% e 90% do total.

Adriano compensava Queiroz repassando ao comparsa dinheiro que levantava em suas atividades criminosas.

O MP do Rio comprovou transferências de R$ 69,5 mil dos restaurantes em nome de Adriano e Raimunda para contas controladas por Queiroz.

Fabrício, por sua vez, coletava o dinheiro público do rachadão e beneficiava o clã Bolsonaro.

Ele depositou R$ 89 mil em conta bancária da primeira dama Michelle Bolsonaro.

Ele também pagou despesas pessoais de Flávio Bolsonaro e da esposa, como seguro de saúde da família e mensalidades escolares das filhas do casal.

Fabrício Queiroz só foi contratado formalmente como chefe de gabinete de Flávio em 2007.

Porém, a relação dele com Adriano começou bem antes, assim como o envolvimento do clã Bolsonaro com o miliciano.

Cronologia:

15.05.2003 — Fabrício Queiroz e Adriano Magalhães da Nóbrega, lotados no 18o. Batalhão da PM no Rio, matam Anderson Rosa de Souza, na Cidade de Deus, com tiros na cabeça, pulmão e baço. Alegam que reagiram a disparos do técnico em refrigeração. O inquérito ainda está em andamento.

24.10.2003 — Deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ) aprova moção de louvor e congratulações ao 1o. Tenente PM Adriano Magalhães da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

23.05.2005 — Deputado estadual Flávio Bolsonaro aprova a entrega da Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração do Rio de Janeiro, ao 1o. Tenente PM Adriano, então preso sob acusação de homicídio.

23.10.2005 — PM Adriano é condenado a 19 anos e seis meses de prisão pela morte do guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, na favela de Parada de Lucas, Zona Norte do Rio.

27.10.2005 — Deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) faz discurso na Câmara dos Deputados atacando a condenação de Adriano, que mais tarde seria revertida.

03.2007 — Deputado estadual Flávio Bolsonaro contrata o subtenente da PM Fabrício José Carlos de Queiroz para chefiar seu gabinete na Alerj, na condição de motorista e segurança.

07.02.2007 — Deputado estadual Flávio Bolsonaro, em início de seu segundo mandato, faz discurso em defesa das milícias na Alerj.

06.09.2007 — Deputado estadual Flávio Bolsonaro emprega a mulher de Adriano em seu gabinete. Danielle Mendonça da Costa Nóbrega seria mais tarde acusada de participar do esquema de rachadão.

20.12.2011 — Adriano é preso na operação Tempestade no Deserto. É alvo da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), cujo objetivo era “desarticular uma quadrilha acusada de envolvimento em homicídios e outros crimes relacionados a uma disputa de poder pelo espólio do contraventor Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004”, de acordo com o G1.

07.01.2014 — Diário Oficial publica a demissão do capitão do Bope Adriano da PM carioca. Ele e o primeiro-tenente João André Ferreira Martins “foram considerados culpados nas acusações de trabalharem na segurança de José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, que explora jogos caça-níqueis”, segundo a EBC. Zé Personal era genro do bicheiro Maninho e foi assassinado em 2011.

02.03.2015 — Raimunda Veras Magalhães, mãe do PM Adriano, é contratada como assessora da liderança do PP, partido de Flávio Bolsonaro. Deixou o cargo em 31.03.2016.

29.06.2016 — Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, é contratada para o gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Ele já havia se transferido para o PSC.

10.2018 — Flávio Bolsonaro demite Fabrício Queiroz.

13.11.2018 — Flávio Bolsonaro demite Danielle e Raimunda de seu gabinete. À época elas estavam em cargos CCDAL-5, salário mensal de R$ 6.490,35.

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