LUIZ EDUARDO SOARES PREVÊ: COM APOIO DAS PMS, INTERVENTORES SERÃO NOMEADOS NOS ESTADOS
Por Luiz Eduardo Soares*, no Facebook
Faço um apelo a todas e todos que sabem o que significaria um golpe policial-militar, sob liderança fascista.
Os sinais são assustadores, ostensivos e crescentes.
Hoje, o vice-presidente publicou um artigo absurdo e ameaçador no Estadão.
Aras, embora tenha se corrigido depois, disse ao Bial que as Forças Armadas poderiam, sim, intervir se um poder invadisse a seara do outro, numa clara alusão crítica ao Supremo.
Ives Gandra está a postos para escrever a justificativa “constitucional” do golpe.
Nunca faltaram juristas aos generais; não faltarão ao capitão.
Eduardo Bolsonaro confirmou: a ruptura está decidida, espera-se apenas a oportunidade.
O presidente sobrevoou manifestação contra o Supremo e o Congresso ao lado do ministro da Defesa.
Precisa desenhar?
Enquanto isso, do lado de cá, uns e outros estão melindrados com manifestos conclamando à união pela democracia.
Questionam suas intenções e origens.
Não querem ser usados por adversários que buscam se redimir de erros passados.
Ou seja, perderam conexão com a realidade.
O fogo já começou a lamber seus pés. Despertem, cacete!
Nessa conjuntura, movimentos sociais planejam manifestações para domingo.
Pois aqui vai meu apelo.
Companheiras e companheiros, vocês não percebem que Bolsonaro está armando uma armadilha?
Vocês acham que terão condições de impedir que infiltrados promovam quebra-quebra? Não terão. Não subestimem os fascistas.
A P2 fez isso outras vezes, por que não faria agora? Agitadores fascistas são profissionais da destruição. Sabem como gerar o que os bolsonaristas e a mídia chamarão “caos”, sabem como reencenar o que a mídia gosta de denominar “vandalismo”.
Se vocês forem às ruas, por mais organizados que estejam, não conseguirão impedir que provocadores façam o que Bolsonaro espera desde a posse.
Se vocês forem às ruas, e eu adoraria que fossem e eu estaria junto com vocês, em condições normais, não só vão ajudar a propagar o vírus em nossos grupos, como vão oferecer a oportunidade que os fascistas aguardam, ansiosamente, e que têm sistematicamente estimulado.
Se isso ocorrer no próximo domingo, à noite, em rede de TV e rádio, Bolsonaro dirá que, em defesa da lei e da ordem, e “da democracia”, enviará na manhã seguinte solicitação ao congresso para a decretação do estado de sítio.
Se não houver apoio, o “poder moderador” das Forças Armadas se imporá, porque, afinal de contas, “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”.
Interventores, com apoio das polícias estaduais, tomarão o poder nos estados.
Em lugar do Supremo, uma corte de exceção será nomeada.
Nessa noite tão tenebrosa quanto previsível, as lideranças sociais e políticas não alinhadas ao fascismo serão alvo de diferentes tipos de ação.
Prefiro não descrevê-las. E só então quem, à esquerda, costuma desdenhar da “democracia formal” e de uma “Constituição que nunca chegou às classes subalternas ou aos territórios vulneráveis” vai entender que faz diferença, sim, o regime político, a tal democracia, por mais limitada e precária que seja, no Brasil.
Vocês acham que eu exagero? Estou paranoico? A quarentena me fez mal?
Tomara que estejam certos. Entretanto, creio ser, hoje, um dever de todos e todas, especialmente das lideranças, alertar e explicar com detalhes o que está em jogo e quais são os riscos de realizar manifestações nesse momento.
Só faz sentido ir para o confronto se a correlação de forças permitir, ou poderemos sofrer uma derrota histórica, um banho de sangue e um golpe.
A menos que nossos companheiros tenham certeza de que conseguirão bloquear os sabotadores e provocadores a serviço do fascismo.
Mas quem poderia ter essa certeza? Que líder responsável poderia ter essa certeza?
*Ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro