FILÓSOFO VICTOR LEANDRO: O NACIONALISMO ATIVO E SUA MÁ INTERPRETAÇÃO

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Um dos discursos mais propagados das figuras reacionárias no Brasil e que se procura contrapor ao pensamento progressista é o do nacionalismo. Revestidos de arrogância e pretensão, os grupos pertencentes a essas elas trazem para si o primado sobre os signos distintivos do país, tornando-os os objetos de veneração que somente a eles são destinados, e a quem cabe de igual maneira proteger contra as ameaças destrutivas promovidas pelas ideias radicais da esquerda.

Por óbvio, tais ilações não derivam de nenhuma racionalidade bem constituída. Porém, ainda que à revelia, elas ajudam a revelar uma verdade significativa, que é a que de fato o nacionalismo que praticam não tem qualquer elo com aquele que é realizado por indivíduos livres e emancipados, e resulta somente de suas disfunções e conflitos mal resolvidos.

Sabe-se desde Marx que o estado é uma construção artificial, assim como a nação. Ambos não existem em si mesmos, mas somente como resultado das forças dos indivíduos que atuam para que sejam elaborados. Daí que, numa compreensão pautada no real, para se entender o modo como uma nação é definida, é preciso olhar antes para as formas identitárias comuns aos sujeitos que a compõem, e nunca para suas elevações simbólicas instituídas pelas superestruturas, posto que nessas já figuram elementos falseadores e de pura dominação.

Disso deriva que há dois nacionalismos, um real e outro fantasioso, um que emana das construções simbólicas e existenciais de seus agentes, e outro que advém das formas hierarquizadas da fantasia, um que é coletivo, social e traz a força autêntica da multidão, e outro que é individualista, rivalista, sectário e se origina dos sentimentos de medo e insegurança, os quais conduzem à veneração desenfreada da nação como imagem protetora paterna. Em resumo, trata-se de um nacionalismo ativo – pois vem da ação liberta e conjunta dos sujeitos envolvidos – contraposto a um nacionalismo  reativo – que é somente uma resposta defensiva e frágil frente aos temores pessoais que se sente.

Para os que acompanham os acontecimentos recentes da política, o último dia 15 serviu bem para indicar a sintomatologia comportamental dos dois nacionalismos. Quem está do lado do primeiro foi às ruas atuar pelo bem-estar educativo e social do seu povo; já os demais recolheram-se em suas casas, e esperaram pela visita dos fantasmas reativo-nacionalistas a lhes oferecer o abrigo necessário para seu sentimento profundo de atrofia e insignificância.

Victor Leandro da Silva
Prof. Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas
Coordenador do Curso de Licenciatura em Ciencias da Religiao – PARFOR/UEA

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