Os ditos populares são sabedorias. Sabedorias saídas das experiências do sujeito do conhecimento, ou do sujeito da imaginação. De qualquer plano, são presentes passados que, como sabedorias, pouco valem para a experiência do novo. Entretanto, é a “condição quase negativa que possibilita a experiência que escapa à história” (Deleuze). É preciso uma sabedoria, ou mais, para se fundar o novo. Se a sabedoria não serve ao novo, pelo menos serve à análise comparativa entre o que não é, mas quer se passar como sendo. E um sendo necessário, quando é apenas o malogrado.

Conta uma sabedoria popular, também erroneamente, conhecida como senso-comum, que quando alguém visita uma cidade desconhecida, mas pretende ter desta cidade, no momento que chega, informação ampla e real, deve tomar três endereçamentos:

Visitar o mercado para conhecer tanto os preços das mercadorias quanto os hábitos alimentares dos habitantes desta cidade.

Visitar a biblioteca para conhecer a prática intelectual da cidade e seus personagens.

Ler um jornal para conhecer o presente da cidade e os conteúdos que geram as informações.

A COMPREENSÃO DO VISITANTE SOBRE MANAUS

Carregando seus referencias urbanos, o visitante sai do mercado compreendendo um pouco dos nossos hábitos alimentares, e muito certo que Manaus é uma cidade carente de alimentos, onde os preços dos alimentos que restam são inacessíveis aos assalariados. Sem eufemismo: os pobres. Nisto, ele entende a falta de uma administração pública que tenha o entendimento e o envolvimento com o fator básico da vida: os alimentos.

Saindo da biblioteca, ele concebe a limitação da prática intelectual refletida no acervo literário e nas consultas diárias com seus temas banais. Além de perceber o grau de alienação na maioria das obras dos ditos escritores amazonenses, onde predomina uma fauna e flora destituída do real, povoada de espectros de índios, caboclos e mestiços produzidos pela imaginação-supersticiosa aprisionada no mítico mistificado.

Afastando-se de uma banca de jornais, ele carrega um jornal que decidiu comprar, entre os outros, porque fora atraído pelo emblema: “De mãos dada com o povo”. Imaginando que este jornal, comprometendo o conceito povo, poderia melhor lhe apresentar a cidade. Leu o jornal e percebeu que a maioria das informações locais eram tendenciosas publicidades dos governos municipal e estadual. Visitante de várias capitais, lembrou o Jornal Pequeno de São Luís. Jornal independente, engajado, sem freios em suas redações, jornalistas e repórteres servis. Jornal pesadelo dos Sarneys e sua trupe. Carta Capital, Caros Amigos, entre poucos no Brasil.

Leitor crítico, no sentido grego da palavra crítica, o sentido apanhado por Marx, sabe que não houve escolha, e muito menos disputa, para que Manaus fosse indicada sede da Copa. Sabe que nem o governador e nem o jornal A Crítica que não antecederam ao capitalismo tiveram qualquer participação para a decisão da FIFA cujo presidente Blater imagina ser Belém cidade do Nordeste, e seu Conselho Geral acredita que o Amazonas é a Amazônia , mas tão somente a Coca-Cola e a Sony, juntamente com um grupo de empresários das transnacionais que não sabem se a bola de futebol é circunferente, circular ou redonda. Leitor, também da História do Brasil, de Nietzsche, de Freud, logo entendeu porque tanto ufanismo irmanado com o governador e servidores. Lembrou do Grão-Pará, dívida freudiana que certos amazonenses nunca conseguem pagar tal o grau de afetos rancorosos. Razão da fálica ab-reação psicanalítica com ilustração de paraense chorando, e o jornal gritando em desatino: “Vencemos!” O visitante pergunta: “Venceram o quê? Venceram quem? A Copa vai criar uma Manaus-Paraíso Popular? Vai mudar a miserável condição em que vive o povo?” “Tanto ressentimento”, balbucia o visitante, e completa, nietzscheano, “o ressentimento é uma das facetas do ódio”.

Depois de perambular pelas ruas de Manaus, e conversar com alguns moradores, o visitante parte. Se a sabedoria popular não lhe serviu para novas experiências, permitiu-lhe comparar a cidade das “amizades do lucro”, com outras cidades tristes do Brasil. Além de lhe imprimir um temor pela história de Manaus feita na ótica daqueles que se querem autoridades, mas atuam pela impulsão e não pela Razão. O ser da autoridade democrática.

Se o visitante soubesse um pouquinho mais do jornal em sua relação com o governador, veria o quanto esta sociedade tem de patética. Veria que todo este ufanismo telúrico é frágil e irreal. Bastaria ele conhecer uma edição especial do jornal publicada com página preta, em “Luto”, como protesto contra este mesmo governador, Eduardo Braga, que naquele momento era tido como adversário, da mesma forma como era o prefeito cassado, Amazonino, hoje em parceria junto aos propósitos das alienígenas empresas e a classe média ignara. Veria que as “mãos dadas com o povo” é um simples lecton. Uma enunciação cujo significado real encontra-se diluído na figura Copa do Mundo como necessária ao povo. Então, diria: “O povo só precisa de sua própria mão”.

1 thought on “A COPA EM MANAUS E A SABEDORIA DO VISITANTE

  1. OS ANTIGOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL AGORA SÃO DENOMINADOS DE ARENAS OU SHOPPINGS CENTERS DO FUTEBOL ONDE A CLASE MÉDIA FAZ DE TUDO NESTE PARAÍSO ARTIFICIAL INCLUSIVE ASSISTIR UMA PELEJA, O FUTEBOL ARTE DEU LUGAR AO FUTMONEY-EURO OU SEJA A BABA FALA MAIS ALTO, O ILUSTRE RICHARD TEX PRESIDENT DA CBF(LEMBRAM CPI DA BOLA OU NIKE) EM UMA ENTREVISTA REVELOU O QUÊ TODO MUNDO JÁ SABIA, QUE FUTEBOL É UMA INDÚSTRIA ASSIM COMO O TURISMO, CULTURA. POIS O NEOLIBERALISMO VER LUCRO EM TUDO. ESSA EVOLUÇÃO VEM COM A EXTINÇÃO DO EXPONTÂNEO, DO NATURAL QUE O FUTEBOL DOS CLUBES E SELEÇÕES UM DIA TIVERAM, HOJE UM GAROTO COM 10 ANOS JÁ POSSUI UM MANAGER PARA GERENCIAR O SEU NEGÓCIO/CARREIRA. A COPA E COZINHA DE MANAUS SAIU DA CABEÇA ILUSTRE DE CARTOLAS E POLITICOS QUE VISLUMBRARAM EM 2006 A POSSIBILIDADE DE MANAUS SEDIAR DE 3 A 5 JOGOS A UM CUSTOS MÉDIO DE 1 A 2 BILHÕES PELA REDONDA ROLANDO NO GR-AMADO DA ARENA DA COPA VERDE QUE TE QUERO VER TE Ó DÓLAR.

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