TRÊS NOTAS CURTAS DO MICROFASCISMO ANTIFUTEBOLISTA

QUANDO A BOLA MURCHA, O CORPO SOCIAL PADECE

O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, mostrou o quanto entende de futebol ao tratar sobre uma partida do campeonato paulista em que o tricolor enfrentará o São Caetano. O time interiorano quer transferir a partida para a cidade de Presidente Prudente, e o cartola tricolor “ameaçou” colocar os juvenis do clube para jogar a partida. Juvêncio afirmou que o time prioriza a Libertadores, e que não coloca os juvenis “em respeito ao torcedor, à mídia e às empresas que investem dinheiro”. Faltou falar do (des)respeito aos futuros profissionais do clube, que são usados como arma de vingança, evidenciando o aspecto mais marketista do que futebolista do clube. O “patrão” Juvenal, com sua atitude, além de evidenciar a ignorância sobre futebol, comete assédio moral, já que deprecia a qualidade ou o trabalho de seus subordinados. Caso para para a Delegacia Regional do Trabalho paulista. Ou o time juvenil do São Paulo é tão ruim quanto o adulto?

O Corinthians também anda usando técnicas de marketing de guerra para sobreviver no deserto futebolístico brasileiro. Mas o alvinegro paulista, diferente do irmão siamês tricolor, não ameaçou: já colocou em prática o seu plano antifutebolístico. O clube anda cobrando “couvert” artístico para colocar Ronaldo em campo. Contra Itumbiara e Palmeiras, foram 450 mil reais a mais nos cofres, graças à presença estática do ex-jogador em campo. Mas do que um sintoma de que no futebol brasileiro, fala-se de tudo, menos de futebol, a atitude é no mínimo engraçada. Resta saber se a atração bisonha vai arrastar multidões curiosas com o inusitado mais tempo do que o artista da fome de Kafka… Na ficção, o artista foi substituído por uma pantera. E no hiper-real, quem substituirá o artista do fastio futebolístico?

Restou à psicanálise explicar porque meandros a homossexualidade latente, o desejo refreado e interdito pela Lei e pela ordem da moral social, se manifesta inconscientemente no plano consciente. A homofobia é um deles. Bate-se num homossexual não pelo ódio ao outro, mas pela impossibilidade de suportar a homossexualidade mal resolvida em si. O futebol, que pode ser entendido como uma sublimação dos investimentos libidinais homossexuais, já que promove a confraternização entre homens tendo a bola como efêmera justificativa, não por acaso, é palco-mor da homo e da xenofobia. Assim, o machão, machinho, machasso técnico do Figueirense, de Santa Catarina, Roberto Fernandes, usa um vestido cor-de-rosa como método (anti)pedagógico de punição. O jogador que treinar e apresentar baixo rendimento deve usar durante todo o dia um vestidinho rosa, e ser vítima de achaques e chistes de seus colegas. Considerações analíticas à parte, trata-se de uma evidência de estreiteza epistemológica. Fosse em uma escola, seria passível de processo. Já que se trata de futebol (tratar-se-á?) a questão é de ordem intelectiva: ou como afirma o ditado popular dos tempos de guerra: amedronta o inimigo com aquilo que a ti causa pavor.

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