O MARKETING OFICIAL-OFICIOSO DA “NOVA PREFEITURA”
“A propaganda é minha melhor arma”, afirmou, eufórico, Mussolini, no olho da expansão fascista no pré-estágio da Segunda Guerra. De acordo com seus propósitos ideológicos, o Duce estava certíssimo, já que o objetivo único da publicidade é persuadir os incautos a acreditarem no valor, e na necessidade, da mercadoria que lhe é oferecida. Ainda mais quando a mercadoria se encontra mistificada, como a mercadoria dos sistemas despóticos, e ainda para facilitar seus signos sedutores, encontram endereços sujeitados pelo medo, a desilusão, desesperados em uma mistificação salvadora.
De qualquer sorte (ou acaso), tanto faz ser marketing ideológico de um sistema ditatorial, ou marketing de mercadorias da sociedade de consumo, todos se encontram enterrados na mesma vala comum. Todos são abstrações, objetos reificados, onde suas notas reais se encontram alienadas pela força da disfunção valor-troca-lucro. Elementos que mantém o mundo fantasioso do capitalismo.
Assim, nesta ordem, muito bem ordenada para a dominação, nenhuma instância escapa do ‘louvor’ do marketing. Seja a instância privada ou a pública, o vender dominando (propagação subjetivadora) é a grande jogada. Para tal, basta o mínimo de inteligência.
O MARKETING DO ALVARÁ
Como não poderia ser o contrário, a gestão Amazonino cassado encontra-se em franca franquia no ‘louvor’ do marketing. Está promovendo desconto no pagamento do alvará. Ardil capitalista: em todo desconto já se encontra inserido o lucro de quem oferece. Uma simulação: “o governo é bonzinho”.
Duas notas humorísticas saltam deste marketing. Uma, como Amazonino ‘está’ prefeito amparado em medida cautelar, o marketing de sua prefeitura insinua ser oficial. Duas, como se encontra cassado, é oficioso.
O balanço do humor marketista não para aí. Ele também atua quando propaga: “Nova prefeitura”. Aqui também dançam duas notas do conceito novo. Uma, não há nada de novo. O organismo político-administrativo municipal não sofreu nenhuma ‘desorganização (mudança do organismo antigo)’. Continua o velho e viciado organismo. Duas, a não ser que o “novo” se refira ao ineditismo da prefeitura ser comandada por um prefeito cassado, e que em função da tragicomédia shakespeareana, “ser ou não ser prefeito, eis a questão”, o “novo” se destaca como encenação, já que Manaus sofre da carência de teatro na praça.
Também, digna de nota é a enunciação ‘louvor’, “Reconstruindo a nossa cidade”. Propaganda direta contra a gestão Serafim. Uma preciosidade tão eloquente que até nos leva a afirmar — que não tivemos nenhuma ligação com a gestão do ‘português’, muito pelo contrário —, que se todos os representantes da direita que ocuparam o cargo de prefeito em Manaus tivessem administrado com pelo menos 30% de semelhança da forma que o ‘luso’ administrou, Manaus seria parecida com uma cidade. E o mais irônico que salta do “reconstruindo”: a própria população anda se queixando que a cidade se encontra administrativamente parada. Inclusive eleitores do gestor da “nova prefeitura”. Portanto, nada sequer construído, já que não há “mãos em obras”.