No espaço integral da banalidade não há objetos ou idéias a serem trocadas. Nada. Só a total ditadura dos iguais. A nulidade pura dos indivisíveis. Eis o BB.

Notificou-se que uma participante do BBB9 fez um vídeo-pornô. Talvez, com a notícia, houvesse a pretensão de sentenciar que existem princípios morais necessários para alguém participar do BBB, visto que em função da moral familiar, quem fez de seu corpo uma mercadoria não pode habitar a casa e contar com a amizade do Big Brother, o grande irmão. Engano. Fazer ou não um filme pornô não é nota excludente para participar da amizade dos iguais, já que, como componente do espaço integral da banalidade, o BB é o virtual onde o pornô se mostra como total consentimento do vazio.

Em seu sentido etimológico, o pornográfico é a escrita do obsceno, do libertino. Nos percursos históricos, moral, religioso e sexual, tomou o significado de prostituído. Prostituição. Fora das normas dos bons valores. Objeto-sensual de prazer de outro. Em si mesmo, nada mais que uma trapaça-erótica. O sujeito não se apossa do objeto-sensual, e nem o objeto-erótico materializa-se como mercadoria-propriedade. O que prevalece é a igualdade de ambos: o vazio. Aí o primeiro sintoma da banalidade dos iguais. O pornô não tem equivalência com o sexual-transgressor, o pervertido como desvio do desejo, mas com o vazio. O pornô é a insignificância do existir. Não tem o que mostrar. Essa sua escrita fora de cena. Encontra-se como forma desativada da percepção e da cognição. Preso em sua igualdade, o pornô não emite sinais a serem percebidos. Nem como voyeurismo. É o triunfo imortal da família replicante que anulou a antropológica relação de parentesco, a sociológica família nuclear e a biológica herança genética.

O TELE-PORNÔ BB-GLOBO

Enquanto no grego a palavra tele servia para confirmar a percepção do distante como imagens na construção da consciência como fundamentação ontológica, hoje ela se encontra transfigurada em uma fusão/confusão na consciência-imagética do telespectador sem distância, onde as imagens não são mais produtos das percepções em tridimensionalidade. Desativados o espaço e o tempo pelas tele-tecnologias, muito bem alocadas no interior da inércia familiar-replicante, as imagens são superpostas como conteúdos virtuais sem nenhuma referência-sensorial. É a essa força reativa da banalidade que o telespectador responde(?) quando a Globo lhe incita a participar da “interatividade”, “opinando” sobre a condução do programa. Opinião-pornô.

Como tudo segue a lógica dos iguais, o telespectador tanto se encontra dentro da casa como fora. Ou melhor: em lugar nenhum. Tudo que ocorre, ele já sabe. Ele é um paranormal da plenitude da insignificância. Não interage, pois a Globo, como seu BB, encontra-se desativada. Em si nada é ativo, só reativo. Como, também, não há inter. Para existir inter é preciso existir diferenças, possibilidades de troca, potência de ação, mas como tudo se equivale, não há interatividade. Só reativação: permanência-pornô da banalidade. O assassinato-pornô em circuito fechado sob a tela de controle. A dissipação do social. O cadáver do espaço das alternâncias. Com diz o filósofo Baudrillard: “É aí, quando tudo se dá a ver (como em Big Brother, os reality shows, etc), que se percebe que não há mais nada a ver. É o espelho da banalidade, do grau zero, onde se faz a prova, contrariamente a todos os objetivos, da desaparição do outro, e talvez mesmo do fato de que o ser humano não é fundamentalmente um ser social.”

1 pensou em “BB-BIG BROTHER: O TELE-PORNÔ FAMILIAR

  1. Questão de escolha

    As faces do egoísmo estão associadas ao consumismo,
    este ao viver a “vida”, e esta ao marketing da propaganda.
    Esta correnteza, que nos arrastam, e nos comandam
    faz o mundo mudar, sem rumo, para um lugar expatriado.
    A moral perdeu a cívica e o civismo virou cinismo.

    O amor virou sexo, meretrizes viraram meninas,
    agora sem prostíbulos ou esquinas,
    são portas de colégios, praças e automóveis,
    barracas de lonas em rodovias ou vagões de ferrovias.
    Teles-pornôs começam as treze…

    Mas, tem significado, é noticia espontânea,
    nos jornais televisionados, logo após as novelas –
    sex fetiches de caminhoneiros e mocinhas sem granas.
    Fruto da propaganda, que lhes vendem as fantasias –
    daqueles que pagam as novelas.

    Sermos ricos são modas permanentes,
    nesta sociedade egocêntrica.
    – Abaixo a pobreza: diz os hipócritas,
    que vendem materialismo, como felicidades.
    Eu, ainda, sou retrógrado: prefiro o amor!

    ZeReys – Poeta Procopense.
    Bom dia, tudo bem contigo – Abraço do poeta!
    Parabéns pelo artigo, muito bom, mas um pouco técnico, para a maioria…

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