O Brasil é um país em que sempre as artes andaram à revelia da burocracia, embora muitos burocratas, que se tomavam como artistas, tenham se apossado de órgãos institucionais para fazerem valer seus interesses mais financeiros que estéticos. Fato comum no tempo da ditadura em que muitos projetos foram realizados com o cognome de artes, mas muito distante de suas trepidações.

Pois bem, enquanto interesseiros se esmeravam em tirar proveito do desconhecimento artístico dos ditadores, grupos de artistas anômalos, engajados em seus princípios sociais, procuravam driblar a repressão para fazer emergir um novo modo de ser artístico. Em plena a ditadura, um destes destemidos artistas era o ator Sérgio Mamberti que como cidadão ativo criava situações juntamente com outros artistas como Lélia Abramo, procurando organizar uma resistência política, tanto para mudar o Brasil reprimido e fazer brotar a democracia, como para criar o sindicato dos artistas ou sindicatos dos atores.

O certo é que Sérgio Mamberti sempre esteve na vanguarda dos movimentos libertários. Como amigo de Lula em 70, foi também um dos fundadores do PT. Convicto de seu estar no mundo socialista, Mamberti apresenta-se em todas as lutas sociais em que é convidado. Nestas eleições, esteve em Manaus para participar da candidatura de Praciano, candidato da parte engajada do PT e de parte da população. Agora, é conduzido à presidência da Funarte, Fundação Nacional das Artes, instância estética que congrega a dança, fotografia, circo, dramaturgia, música, entre outras expressões artísticas. Embora, artista, Mamberti é um talentoso administrador do seguimento artístico. Por várias vezes substituiu o ministro Gilberto Gil no Ministério da Cultura.

Pela ocorrência, a moçada das artes só tem que aplaudir. Em particular, este bloguinho intempestivo.

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