A MUDANÇA DE AMAZONINO NO SENSO DE PLÍNIO VALÉRIO
Uma subjetividade é um conjunto de corpos materiais e imateriais condutores de signos-valores produzidos por instâncias sociais manifestados por uma semiótica com força de captura, junção e formação de agenciamentos refletidos nos indivíduos, seus agentes ressonantes. Historicamente pode-se indicar uma subjetividade grega, romana, medieval-cristã, renascentista, iluminista, capitalista industrial, capitalista de mercado, todas formas de conteúdo e expressão de uma sociedade ou parte dela. Entretanto, não existe uma única subjetividade que subjetiva todos, há sempre potências que escapam e formam outras subjetividades contrárias com signos-valores disjuntores das forças repressivas instaladas na dominante. Essas subjetividades muitas vezes são compostas por corpos que se liberam da dominante, embora, como pontos molares e linhas-rígidas, sejam muito difíceis por encontrar-se muito mistificadas e mitificadas.
O SENSO DE PLÍNIO VALÉRIO
Plínio Valério, o PV, mensageiro do candidato da direita tradicional, Amazonino (PTB), embora sendo o titular do Partido Verde (PV), desconhece a Ecosofia do filósofo Guattari em suas enunciações Ecologia Ambiental, Social e Mental, uma subjetividade de produção de novas formas de saberes e dizeres, por isso se pôs a pontuar notas existenciais no ex-governador com o intuito de mostrar, principalmente para seus adversários, que ele agora é outro: mudou, é um novo. Quando o encontrou, pontuou: “vi um homem maduro, humilde, aprendeu com a derrota, um político experiente, se enganam quem pensa que Amazonino usará velhas práticas, o passado não vai voltar”.
DAS NOTAS DE PV EM AMAZONINO
“Maduro, humilde” – Em biologia, maduro é um estágio-passagem. Filosoficamente, a entrada na ternura, na alegria, suavidade caminhante da humildade sábia. Nada de “esnobismo, a doença infantil do egoísmo”, como diz o filósofo Fréderic Schiffter.
“Político experiente” – A experiência é um devir, o que nos transforma em outro quando deixamos o constituído, os signos-valores que antes haviam nos capturado. Em sua campanha, Amazonino faz o que fazia antes: acusa o adversário, encontra parte da população com o mesmo gestual e as mesmas enunciações.
“Aprendeu com a derrota” – Em democracia não há vitória nem derrota, há potências que se entremeiam como fluxos-enunciadores que buscam, pelo voto, emergirem como virtuais produções coletivas. A ação como princípio social e não a paixão como efeito degenerativo. A derrota como mestra é puro ressentimento, não é democrática.
“O passado não vai voltar” – Nada volta, a não ser magicamente pela imaginação e a superstição, como sintoma do medo do novo. Os parceiros do candidato são os antigos tele-miserabilistas, a mídia venal, artistas alienados, a classe média calculista, jovens-epígonos… O que se mantém molarmente fixo.
“Se enganam quem pensa que Amazonino usará velhas práticas” – Em sua campanha, anuncia: “Meu povo”. Povo é a potência Uno como Todo. Só quem se encontra fora dela pode pronominá-la, mas fora dela é não ser ela. Não é Povo. Não lhe alcança.
Mas PV, sem saber acerta, quando diz que “Amazonino não tem escola”. É verdade. Escola não é um conjunto de pessoas imobilizadas por uma premissa. Escola é um composto de corpos em constantes intensidades, extensividades, latitudes, longitudes, declinações, choques, criando afetos e trajetos como outros saberes ontológicos.
AMAZONINO, O FILÓSOFO E PV
Amazonino afirma: “Não estou atrás do poder. O poder já exerci”. Para o filósofo Baudrillard, nunca exerceu, visto que o poder não existe: é uma simulação que ilude em função de seus signos ritualistas que se metamorfoseiam como sedutores: força. Uma paródia governante. “O segredo dos grandes políticos foi saber que o poder não existe”. O que “lhe dá uma superioridade fabulosa”, tudo que o senso do PV não pode ver em seu professor, por mais que negue o valor-professoral.