ZFM DIANTE DO CRASH AMERICANO: ESTABILIDADE E DESACELERAÇÃO

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O coordenador-geral de Estudos Econômicos e Empresariais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), José Alberto Costa Machado, afirma que o crash do sistema financeiro americano tem um impacto positivo para a Zona Franca de Manaus:

“O produto importado, que concorre diretamente conosco no mercado nacional, ficou mais caro com a alta do dólar. Com o dólar e os importados da Ásia mais caros, o comércio da produção nacional ganhou mais espaço e força” (na Agência Brasil).

Já Ronaldo Mota, diretor executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), diz que os impactos negativos não são imediatos, mas que a partir do início de 2009 a ZFM pode passar por dificuldades, sendo atingida por uma desaceleração:

“Se observarmos mais atentamente, aqui e acolá já começa a ficar mais difícil obter crédito e quem vai sofrer o primeiro impacto é quem vende produtos mais caros e com financiamentos mais longos. Ainda não é não é o nosso caso, mas, se essa crise se prolongar, certamente vai nos atingir em cheio. A grande questão é saber como o mercado vai se comportar a partir de 2009” (na Agência Brasil).

Ambos estão certos. Só que, como diz Jean Baudrillard, “a economia avança mais depressa do que o pensamento da economia”. Há vários anos que o crash americano era previsto até pelo economista mais retardado, mas de nada adiantou. Os economistas tradicionais são passivos ou nada conseguem fazer, impotentes, ou estão envolvidos nas tramas que geram os crash financeiros. Na verdade, todos estão, vítimas e algozes, irmanados no pacto globalitarizado.

No caso da ZFM, uma quebra aí só demonstraria a falácia desse modelo, que serve apenas de ponte aérea para as multinacionais, mas sem qualquer impacto positivo para a população, enquanto o Amazonas aparece como um dos maiores PIB’s do Brasil. No final, mais dia menos dia, quem paga a conta são os que tudo produzem, os pobres, com bolsões de favelas, desempregos, péssimas escolas, hospitais doentios, ineficiência generalizada de serviços públicos. Quanto a isso, nem os economistas, nem os empresários, no jogo de compadres, irá solucionar. Por isso, Jean Baudrillard continua:

Mas, talvez, exista um outro campo em que o pensamento possa, à sua maneira por uma espécie de elipse —, avançar mais rápido do que o sistema”.

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