FISSURAS NO BURACO NEGRO DA PIOR DA PIOR CORRUPÇÃO

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É em Belém, é em Manaus, Areal, Caieiras, Uberaba, por muitas e muitas cidades brasileiras, indivíduos, famílias inteiras, verdadeiras quadrilhas se especializam na hereditariedade quase genética da privatização espúria do Estado, apropriando-se indevidamente do que é público. Pelos comentários em vários textos desse bloguinho, percebe-se que, além da lista da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) de prefeituráveis processados, a população percebe e aponta a biografia que se recrudesce de subjetividades antidemocráticas da formação dos pioneiros e da nova safra da corrupção política no Brasil.

DA CORRUPÇÃO À HIPERCORRUPÇÃO

Mas ainda existem diferentes formas de corrupção. Corrupção não se caracteriza apenas pelo desvio de verbas públicas, superfaturamentos em obras e serviços, compra de voto, distribuição de calendário, etc.

Antes está a corrupção da falta, voluntária ou não, de inteligência em administrar uma cidade. A linha dura da corrupção começa com aqueles para quem a ética se confunde com honestidade e não é ativada enquanto eticidade a ética em situação, o que não diz respeito à moralidade “certo” ou “errado”, e que põe em avanço as potências democráticas da coletividade.

Mas somente aparece a corrupção dos que se aproximam das coisas-res públicas com a avidez de Kasim e Ali Babá, que vão se adequando, conforme as disposições legais do ‘seu tempo’ e da ‘sua realidade’, pretendendo apropriar-se de tudo que deveria servir à coletividade como um todo sem distinção.

DOS ANTIGOS FALSOS ARGUMENTOS

A partir destes estereótipos que se universalizavam a cada eleição, surgiam falsos argumentos que tiranizavam parte do eleitorado enquanto palavras de ordem que formavam série e repetição:

1. TODOS SÃO CORRUPTOS ou TODO POLÍTICO É LADRÃO. Primeiro, a “política” é caracterizada pela relação de aumento de potência de agir de uma coletividade, que se preserva enquanto causa de si mesma. Uma potência democrática. Logo, quem é corrupto, é corrupto, e quem é ladrão, é ladrão. E corrupto não é ladrão, e vice-versa. Os ladrões são 40. Corrupto é Ali Babá e seu irmão, Kasim, que encontram uma forma legal, muito legal, de fritar 39 ladrões e mandar um para a prisão, enquanto se apropriam, “honestamente”, das riquezas. A maioria dos corruptos, ao contrário, ou por apadrinhamento, ou por endeusamento, passam/pousam como heróis: ele me deu uma muleta, ele me garantiu uma secretaria. Que homem bom! O totalitarismo do nivelamento da igualdade serve para disfarçar ensejos individualistas de corrupção e diluir a corrupção dos justos de momento.

2. ELE ROUBA, MAS FAZ. Pode-se dizer que, pelo enunciado capitalístico, o que importa é o signo significante. Mas, nesse caso, é preciso desmontá-lo gramaticalmente. A sentença é um período composto por coordenação adversativa. Ao contrário do que diz o autoritarismo sígnico, há uma contradição entre os termos. Como é que você sabe quanto ele “rouba” (minuendo) e quanto ele “faz” (subtraendo) para fazer uma subtração e ter a realização (resto) do governo? Para o resultado não ser negativo, o governante teria que ter roubado mais do que fez. Se fosse seguir a lógica, na verdade teríamos de somar o roubo e o feito para medir o grau de realização de um governo; mas aí já é por engrandecer demais o absurdo destes que, pelo primeiro falso argumento, nada tem de ladrão, muito menos de político.

3. VOU VOTAR NO MENOS PIOR. Novamente a subtração absurda. Como você sabe que ele é o menos pior? Seu “escolhido” é o “menos pior” por que é o que menos rouba, ou por que não rouba, mas é o mais medíocre na capacidade de gestão? Dos males, o menor. Não: dos males, o pior. Como toda palavra de ordem, “menos pior” é uma tautologia. Está sempre em uma linha e uma essência, fenologicamente e ontologicamente, de corrupção. Mas o excesso é revelador. Como diz Jean Baudrillard:

É o próprio funcionamento que é perverso e não as disfunções. Não é a corrupção que é perversa, e sim a ordem; neste caso, a corrupção é uma forma de empurrar tal ordem até o pior, até a paródia. Eis a hiperfunção!”

DAS BRECHAS DEMOCRATIZANTES

Com a ordem vigente, em que tudo está mediatizado/midiatizado em imagem. Eleitor, Justiça Eleitoral, Candidato. O eleitorado é visto como massa em percentuais aos quais, muitas vezes, desconfia-se da isenção. A justiça eleitoral, em vez de servir à defesa da população, às vezes, coaduna-se à corrupção. Mas, por outro lado, nesse buraco negro, a despeito da força do capital, tem surgido alguns candidatos como opção de escolha comunitária, não como representação, mas como percepção da cidade em sua totalidade. Assim como a justiça eleitoral tem trabalhado para diminuir a possibilidade de corrupção dos pleitos e aumentado a fiscalização a crimes eleitorais. Mas a mudança maior, e que faz movimentar todo o turbilhão, é que o eleitorado/massa não serve à manobra, como queriam as ciências políticas tradicionais, e toma rumos intempestivos, como ocorreu com a vitória do operário Lula à presidência, enquanto toda a mídia/direitaça seqüelada o atacava; quando se viu, como em Manaus, durante várias eleições um cacique (corrompido, é claro; nada do cacique real) não conseguir levar. Se assim for, os pioneiros não conseguirão voltar, e seus transgênicos não vingarão.

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Deixamos aqui alguns números onde denúncias eleitorais podem ser feitas:

Ministério Público: 0800-920500

TRE-AM – Telefones: 0800-920500 e (92)3611-3470

TRE-AM – On-line: http://www.tre-am.gov.br/denuncia-online.php

ATENÇÃO: Apresse-se na denúncia, pois, segundo o TSE, conforme o Código Eleitoral, “a partir do dia 20 de setembro (sábado), quando faltarem 15 dias para as eleições municipais deste ano, nenhum candidato a prefeito, vice-prefeito ou a vereador pode ser detido nem preso, salvo em caso de flagrante delito”.

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