CHÁVEZ E FARC’S: NÃO CONTAVAM COM A NOSSA ASTÚCIA!

Sarkozy e Massimo D’Alema, respectivamente chefe de governo francês e ministro das relações exteriores italiano vibraram. As famílias de Clara Rojas e Consuelo González explodem em alegria. Lula sorri e pisca, como quem sabe mais do que disse. Manuel Marulanda, em algum lugar da selva colombiana, limpa o cano da arma, assopra, e sorri. Os guerrilheiros camponeses deram uma rasteira no governo Uribe, marionete dos Bushes, na mídia golpista internacional e na direitaça em todos os seus níveis, desde os senadores Arthur Neto, FHC, Tasso Jereissati, Azeredo, Rodrigo e Agripino Maia até o Homer Simpson da classe média consumidor da Globotária, SBesTeira e afins.

Após a celeuma causada pelo caso Emmanuel na imprensa, que celebrou a derrota do “falastrão” Hugo Chávez, a despeito das manobras do governo colombiano tentando a todo custo impedir a troca dos reféns, as FARC mostraram que é possível ser fiel a uma causa, ainda que pelas armas, sem recorrer às armadilhas covardes que seus inimigos costumam usar. Enquanto cumprem com o seu compromisso, o governo Uribe sai do embate enfraquecido, primeiro por ter rechaçado a presença essencial de Chávez nas negociações – presença que teve de ser reconhecida até pelo maior e mais ressentido inimigo: os EUA, através do porta-voz Tom Casey; segundo, porque ficou evidente pelas manobras do exército colombiano, pelas colocações lúcidas dos observadores internacionais, dentre eles Oliver Stone, Néstor Kirchner, Marco Aurélio Garcia, e os próprios familiares da ainda refém Ingrid Betancourt, que acusam o governo de Uribe de ser subserviente aos interesses estadunidenses e sobreviver economicamente dos bilhões de dólares e ajuda tecnológica e logística que recebem do governo Bush para supostamente combater o terrorismo das FARC.

O que diferencia a direita (e as esquerdas que são tão esquerdas que tocam cognitivamente a direita) de Chávez, das FARC’s e de outros filopolíticos é que, enquanto estes últimos carregam elementos afetivos e cognitivos que lhes permite inferir o Real como o imbricamento da matéria e a potência resultante dos encontros entre os corpos, produzindo a variação-afeto, os direitistas só conseguem suportar o existir fugindo para a imaginação-clichê, que compõe um real fantasmagórico, povoado pelos signos produzidos pelo capital, carregados de dor e ressentimento. Daí a impossibilidade de fazerem a leitura do Real em que estão inseridos. Mas um dia, diante de uma situação que expõe a eles a impossibilidade de compor o real apenas a partir das imagens clichês, e eles são obrigados a ver que o que acreditam se desfaz no ar como fumaça, aí é que vem o desespero e o sofrimento. Imaginem como não ficam Uribe, Bush, o casal Bonner-Simpson, Arthur, FHC, DEMos e o incauto Homer Simpson consumidor do Jornal Nacional vendo as reféns saindo alegres sorridentes (onde estão as marcas das torturas denunciadas por Uribe?), e ainda, se despedindo com abraços dos guerrilheiros, sorrisos e olhares de despedida. Um repórter teria perguntado das reféns, tentando pautar a resposta, se sentiam ódio das FARC’S. “Não”, foi a resposta. Como fica nossa mídia, que afirmou não haver novo prazo e que seria muito difícil que ocorresse o resgate? Como fica a direita, diante da certeza de que o motivo das gargalhadas da última semana eram falsos.

Enquanto eles deliram no vazio, Chávez só…

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