CPMF – COMPLEXO DE PROJEÇÃO DOS MEUS FRACASSOS

O senador do PSDB, na tribuna do senado, afirma com veemência que seu partido é o único com obrigação de votar contra a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), já que foi ele quem a criou (1997 com alíquota de 0,2% para a arrecadação ser aplicada na saúde). E que a palavra “Provisória” significa que um dia tem que acabar (em junho de 1999 foi prorrogado até 2002 com alíquota de 0,38% ). O senador do PFL (é inconcebível chamar de Democrata, posto que um truque lingüístico não modifica um discurso cristalizado), também, veemente, afirma que seu partido tem obrigação de votar contra, pois foi um dos que a aprovou, na época, a CPMF. E que não há motivo para prorrogação. Ela foi criada em um tempo em que a economia não ia bem, mas agora vai bem, quer dizer… (quase reconhecia) devia está melhor, e seu objetivo foi desvirtuado.

Pois bem, em psicanálise, um complexo é um conjunto de elementos corporais e incorporais manifestados no sujeito em formas de idéias e afetos, consciente ou inconscientes, responsáveis por sua forma de comportamento interdito. Já a projeção é um recurso usado pelo sujeito para se livrar, ilusoriamente, das idéias que lhe perturbam projetando no outro aquilo que é de si mesmo. Por exemplo, um sujeito hétero, com insegurança e conflitos sexuais, projetando conteúdos homossexuais no outro. Foi elaborado por Freud no momento em que ele estudava o delírio paranóico de negação. Ou seja, a projeção é a negação de minha realidade perturba projetada no outro. “Ele é isto, não eu”. Atentando para os 8 anos do (a)governo de Fernando Henrique, estas duas enunciações freudianas aparecem justamente como a neurótica posição da chamada oposição. O discurso manifesto tenta ocultar o latente: a ineficácia político-administrativa que o Brasil foi submetido pelos partidos siameses: PSDB/PFL. Meus fracassos. Incapaz de construir uma política econômica produtiva para atingir os seguimentos básicos do estado, FH resolveu lançar mão de um modelo tributário imitativo (o IPMF – Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira, 1993) e estabelecer a CPMF. Um achado sem nenhum esforço de inteligência administrativa. Uma mágica para resolver o problema da saúde nacional financeiramente. Na verdade não era problema da saúde, mas sim das enfermidades. A saúde por ser saúde está sempre bem, a preocupação tem que ser com as doenças. Que continuaram evoluindo mesmo com a salvadora CPMF. Que o diga a dengue, a malária, verminoses, cáries, apesar de toda manipulação de informações do ministro Serra e a escamoteação de notícias exercida pela mídia sequelada, eterna subserviente das idéias reacionárias. O que o doutor Jatene, autor da idéia, tão cantada em verso e prosa como uma grande sacada política, não pôde contornar. Entrou numa roubada demagógica. Competente médico, não foi competente politicamente. Não percebeu que não se tratava apenas de investir mais no setor saúde, mas sim, construir uma política econômica forte para implementar políticas públicas e criar novas percepções e comportamentos na população, como faz o governo Lula, quando investe, por exemplo, em saneamento básico. Razão de seu argumento para a prorrogação. Todavia, isso era impossível em um governo apaixonado pelo neoliberalismo privatista tirano da auto promoção do estado brasileiro. Agora, com um governo não submisso as determinações política/econômica do poder internacional, com o processual de políticas públicas atingindo seguimentos variados da sociedade, mais o contínuo fortalecimento da economia, a CPMF, embora no momento seja necessária, já começa, latentemente, a entrar no processo de desprendimento da rede tributária como fator de economia política. E até 2011, como acredita o governo, completará seu ciclo. O resto será só silêncio. Isto é, se a chamada oposição curar o seu status quo de ressentimento, CPMF – Complexo de Projeção de Meus Fracassos, pois o governo Lula não tem participação nenhuma na produção desta neurose de base/invejosa.

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