Θ SOCIEDADE DE CONTROLE NO FUTEBOL ARGENTINO. A AFA (Associação de Futebol Argentina), em parceria com a Universidad Tecnológica Nacional, de Buenos Aires, vai investir num projeto de controle dos torcedores do campeonato nacional. O projeto incuirá entradas personalizadas, com o objetivo de mais facilmente identificar agressores. O autor do projeto será o arquiteto Luis de Marco, e começará a ser testado em 120 dias. Evidentemente que o controle social pela estratégia policial não é novidade, nem privilégio dos portenhos, e nem se constitui uma investigação da causa do problema, como admite o próprio José Luis Meizsner, secretário-geral da AFA, quando lucidamente enuncia: “a sociedade tem uma grande enfermidade, e para obter soluções definitivas, somente com a educação”. No entanto se trata de uma tentativa de diminuir os altos índices de violência e morte nas arquibancadas dos estádios alvi-celestes. Enquanto isso, por aqui…

Θ NA MESMA SEMANA EM QUE MORRERAM os jogadores Puerta, do Sevilla, e Nsofwa, da Zâmbia, mais precisamente no dia 02, domingo último, faleceu também o equatoriano Jairo Andrés Nazareno, de 21 anos, do Chimborazo, time da terceira divisão do campeonato equatoriano. Como os anteriores, de parada cardíaca.

Θ NO VIVALDO OU NO FLORO? A dúvida se refere ao local onde FAST e Bahia se enfrentarão, no próximo sábado, 08/09, pela primeira rodada da terceira fase da série C. Presidente do clube RMMiano afirma que prefere Ita, já o técnico, Manô. Por enquanto, tudo certo para Ita ferver com o jogo e o FECANI, mas até a quinta-feira, ainda é possível mudar o local da partida. Técnico do Bahia, Arturzinho preferia jogar em Manô. Não sabem eles que, numa ou noutra, estarão sempre na RMM, e que depois dela, ao menos para o governo do Estado, Ita virou bairro de Manô.

Θ E SE VOCÊ AMANHECEU COM ESTA COLUNA INTEMPESTIVA, aproveite para assistir à segunda semifinal do Mundial sub-17, entre Alemanha e Nigéria. No primeiro confronto, na manhã de terça, horário de Manaus, a Espanha venceu Gana por 2 a 1, com o gol salvador na prorrogação. Neste confronto África X Europa, a Nigéria pode ainda faturar, mas quem fatura na realidade é o futebol europeu, no qual muito provavelmente os bons jogadores ganeses e nigerianos aportarão, se já não o fizeram, nos próximos anos.

Θ RESULTADOS DOS JOGOS DE HOJE DO BRASILEIRÃO: São Paulo 0 X 0 Atlético Mineiro, com direito a apagão. Santos 2 X 1 Inter, de virada. Corinthians 1 X 0 América-RN, Goiás 2 X 3 Atlético-PR, também de virada, Flamengo 4 X 1 Figueirense, e no quebra-canelas da TV aberta, Grêmio 3 X 1 Vasco, com o time gaúcho mais aguerrido, e o carioca com mais toque de bola, gols de falhas das respectivas defesas mais que organização dos ataques, e mais uma vez a imprensa esportiva vendo um espetáculo futebolístico onde houve apenas um jogo mediano.

Θ RIVER PLATE VENCE E SOBE NO APERTURA. Os Millionarios venceram os Newell´s Old Boys por 3 a 1 e agora estão na sexta posição da tabela, a 4 pontos do líder Boca. No domingo, o jogo será contra o Vélez, enquanto que o Boca enfrenta o Cólon.

Θ SOBRE RACISMO: 1) Volante francês Diarra (Arsenal-ING) afirma em entrevista que “é habitual [na Itália] que as pessoas da minha raça [negra] sejam insultadas, não só pelos torcedores, mas também pelos jogadores adversários”. A seleção francesa joga com a Itália, em Milão, no próximo sábado, pelas eliminatórias da Eurocopa 2008. O enunciado se liga fortemente à subjetividade de discriminação que se fortalece na Europa (principalmente Itália e França), a partir das mudanças econômicas (globalitarismo) e da diminuição dos postos de trabalho e o aumento da migração, que se aproveita do clima de medo/insegurança das pessoas para disseminar o ódio às diferenças. Na última copa, as duas seleções protagonizaram papéis diferentes diante deste quadro: a França, com um selecionado “negro” e dois craques muçulmanos (Zidane e Ribéry), principalmente através do jogador Thuran, rebateu com inteligência as críticas discriminatórias advindas de políticos de extrema-direita, como Jean Marie Le Pen. Já a Itália, além de envolvida com manipulações de resultados do campeonato nacional, silenciou quanto às manifestações de jogadores e torcedores em seu próprio país, e mesmo políticos italianos, à época da final da Copa, demonstraram sua estreiteza intelectual, reverenciando uma azzurra branca contra les bleus negros.

Θ SOBRE RACISMO: 2) O atacante brasileiro Afonso acusa seu atual time, o Heerenveen, da Holanda, de “escravidão”, pois o time não o negociou com clubes de maior porte do futebol europeu (como o Middlesbrough, da Inglaterra), forçando-o a cumprir seu contrato até o final. Em represália, a torcida do time, que antes entoava canções com o nome do atacante, agora o hostiliza nas ruas, chamando-o de “macaquinho”. O enunciado se refere à subjetividade mercadológica que tomou conta do futebol nas últimas décadas, com supervalorização de jogadores e injeção de dólares (na maior parte das vezes ilícitos) nos clubes dos principais centros europeus. Com a qualidade cada vez mais nivelada por baixo, até os medianos têm altos preços no inflacionado mercado da bola. No entanto, o modo de vínculo empregatício entre jogador e clube ainda pende financeiramente para o clube, principalmente os que vivem, como no Brasil e também na Europa, da venda de jogadores-promessas aos grandes clubes consumidores. Afonso sabe disso e faz parte deste jogo, afinal a convocação para a seleção brasileira na vitrine Copa América não aconteceu por acaso. Portanto, o jogador agora se volta contra a mesma lógica de mercado da qual se aproveitou quando foi para o clube holandês, saído do obscuro Malmo FF, da Suécia, para se projetar num clube com maior visibilidade. É a lógica hegeliana do senhor e escravo aplicada ao futebusiness.

Segunda tem mais!

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