*….:: CHAGÃOZINHO EUROCOPA! ::.….*
Θ Primeira semifinal, jogada entre Alemanha e Turquia. O clássico da imigração, dias após a União Européia endurecer a linha-dura contra os imigrantes economicamente improdutivos. Os imigrantes que a Europa não quer são aqueles que incham o sofisticado sistema de saúde e previdência social dos países membros. Nada contra jogadores estrangeiros. Muito menos a Alemanha, que contou com a mão-de-obra turca para realizar o trabalho “sujo e mal pago” da reconstrução econômica dos teutônicos, situação que foi analisada sociologicamente pelo jornalista Günter Wallraff, no seu “Cabeça de Turco”. Hoje, a Turquia tem na Alemanha a sua maior colônia em terras longínquias: mais de 2,4 milhões. Futebolisticamente, a Turquia, com vários desfalques, incluindo o atacante Nihat, veio a campo indo pra cima dos alemães. O que não é difícil considerando a fraca defesa dos germânicos. Tanto pela direita (aproveitando as subidas do lateral alemão Ovelha), quanto pela esquerda, os turcos chegavam, sem no entanto, pressionar com avidez a meta adversária. A Alemanha, sempre no seu tradicional jogo, apelava para os contra-ataques ou às subidas do único jogador que sabe dar três toques na bola sem se enrolar: o lateral Ovelha. Foi lá pelas bandas da ponta-direita que veio o ataque vermelho, cujo chute beijou o travessão, sobrando para o jogador Boral chutar, com mais susto que precisão, e deixar as penas do Peru nas mãos do goleiro Lehmann. Desacostumados a estar na frente no placar, os turcos se atrapalharam, e quatro minutos depois, numa descida pela esquerda, Podolski cruzou para Schweinsteiger tocar e empatar a partida. Daí o que se viu foi uma Turquia subindo mas sem chutar em gol, enquanto os alemães desciam em contra-ataques. No segundo tempo, destaque para a atuação pífia do satélite, que por várias vezes deixou os torcedores, da tevê aberta e a cabo, sem as imagens da partida. De feio, o jogo passou a péssimo, com a Alemanha tentando chegar aos trancos e barrancos, e a Turquia se segurando para o momento em que mais gosta de decidir: os descontos. E a Alemanha fez a parte dela. Aos 33 minutos, Klose abre a vantagem teutônica de cabeça. Era só o que os Turcos queriam. Em desvantagem, podiam apelar para o dèjá vu, e vencer nos descontos. E ele quase chegou, quando o satélite se alinhou e Cabecinha Sentürk desviou do goleiro alemão, que catou o vento e foi buscar a redondinha no fundo das redes. Roteiro repetido da Euro: Turquia empatando a partida aos 41 do segundo tempo. Aí, só alegria para os vermelhos: pela imaginação, eles se remeteram aos jogos anteriores, e acreditaram que os anjos da Providência iriam mais uma vez dizer “amém”. Esqueceram-se que os real se atualiza a partir de uma névoa de virtuais, e que nada se repete. A máxima Heraclitiana. Foram pra cima, e esqueceram da defesa. Aí, o lateral Ovelha saiu costurando – alemão não dribla – tabelou, entrou e empurrou. E a Turquia sentiu o drama de ser eliminada no apagar das luzes. Os alemães vão chegando, parece que não vão chegar, mas como um bom Wolkswagen, chegaram. Contra Russia ou Espanha?.
Alemanha 3 – 2 Turquia