PROJOTA: “VOCÊ NÃO É SÓ UM ARTISTA DA MÚSICA, VOCÊ É UM RAPPER E PRECISA SE POSICIONAR”

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COMPROMISSO

Rapper relembra início da carreira, comenta hits, analisa a cena musical e chama a juventude à responsabilidade

22:20

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O rapper Projota | Crédito: Reprodução/Instagram

O primeiro álbum de estúdio dele, “Foco, força e fé”, que completa 12 anos, traduz o espírito do eterno “moleque de vila”, como o próprio rapper Projota se reconhece, já que sua música com esse nome virou hit. “Hoje eu ando pela rua, a galera muitas vezes não me chama de Projota, me chama de Moleque de Vila. Virou um vulgo meu, sabe? É muito marcante”, conta o cantor e compositor em entrevista ao Conversa Bem Viver.

Além de “Moleque de vila”, outros hits embalaram festas, relações e até novelas, como “Ela só quer paz”. Ao olhar sua trajetória, Projota acredita que o fato de ter estourado com o primeiro trabalho ocorreu porque ele conseguiu fazer uma leitura da cena musical.

“Lá atrás, eu estava fazendo só minhas rimas e vendo e entendendo, aprendendo a fazer rap desde 2002, 2003. Os anos foram passando, a internet chegou na minha casa, a gente começou a divulgar e eu fui aprendendo. Eu vivi o começo da divulgação de música pela internet; já tinha vendido CD na rua. Eu tinha ganhado um DVD de ouro vendendo de mão em mão na rua. Então, quando as gravadoras se interessaram pelo meu trabalho, eu fazia show todo final de semana; eu já tinha uma carreira consolidada dentro da cena do rap. E, naquele momento, os rappers não estavam assinados com gravadora, não tinha ninguém no mainstream, não tocava no rádio, na TV. A gente tinha uma cena paralela à cena musical brasileira, tinha uma cena do hip-hop e do rap. E eu estava grandão nessa cena”, relata.

Projota conta que, ao notar que suas composições poderiam emplacar na rádio, fez algumas adaptações. “As minhas músicas românticas, principalmente, tinham muita possibilidade de serem tocadas no rádio. Era só eu lapidar de um jeito direitinho, porque no rap a gente faz uns ‘rap longo’. As músicas tinham quatro minuto e meio”, recorda.

Como exemplo, cita o trabalho na canção “Mulher”, de 2008. “Era uma música de quatro minutos e 40 mais ou menos. A gente diminuiu até três minutos e pouquinho. Tirei algumas rimas, dei uma preparada nela para funcionar no mainstream. Sem gravadora, sem nada, essa música tocou muito! A Anitta começou a cantar nos shows dela e aí ajudou ainda mais a música a crescer”, lembra.

Projota critica alguns movimentos na cena musical da época que define como “conservadores”. Cita como exemplo os preconceitos com bandas tipificadas chamadas de “emo”, como NX Zero. Para ele, os grupos foram muito criticados e até minados em seus processos de sucesso.

“Muita gente do rock não permitiu que essas bandas estourassem à vontade. Hoje, a galera sente saudade dessa época porque, infelizmente, a massa não está consumindo o rock, e eu, como roqueiro, fico puto com isso. Eu falo: ‘Mano, por que não deixaram os caras estourarem à vontade? Deixaram passar esse movimento, que ia se transformar num outro movimento. As coisas iam andar de uma forma natural”, avalia.

Projota também destaca que, na cena do rap, não é possível o artista ficar em cima do muro, pela própria origem do movimento. “Acho que o grande problema é que, em alguns momentos, as pessoas acham que isso é só o rap e pronto. Conforme o tempo passa, a juventude, quem está chegando agora, não conhece o trabalho que a gente fazia lá atrás. Não vai ver como isso surgiu, para você saber como chegou nesse ponto e entender que o rap, o hip-hop, ele nunca é só por dinheiro ou por diversão. Ele traz consigo uma obrigatoriedade de trazer uma luta, de trazer um posicionamento. Tudo isso caminha junto com o rap. Você quer ser rapper? Se oriente, tá ligado? Se coloque no seu lugar de fato, porque você agora tem uma responsa nas suas costas. Você não é só um artista da música, você é um rapper e, sendo rapper, você vai precisar se posicionar em determinados momentos, você vai precisar lutar por determinadas causas e, junto de você, vem muita gente”, afirma.

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