A teologia é um tratado e uma prática metafísica cujos elementos que a constituem são os enunciados dos textos sagrados. Para que estes textos sagrados cheguem até os crentes é necessário que exista um Nabi, o profeta, o que traduz estes textos de Deus para a linguagem inteligível dos fiéis, e assim manter a fé. Na ordem hierárquica, o profeta está apenas um degrau abaixo de Deus. É o mais próximo intermediário entre Deus e seus fiéis, o que lhe faz um quase Deus. A moral, de acordo com o filósofo Nietzsche, é o costume que os homens carregam de agir e avaliar. Costume moral que chega às gerações pela tradição. Como se trata de uma produção humana, esta moral é uma forma de imobilizar seus seguidores, já que foi arquitetada pela classe dominante. Daí o filósofo afirmar que é uma moral niilista, contrária à Vida, pois Vida é Eterno Retorno. Assim, não serve aos homens livre, os que carregam a suspeita.

Pois bem, a talentosa funcionária ao jornal Folha de São Paulo, Eliane Catanhêde, garatujou um texto por ela alcunhado de “Chama A Polícia! E Chora” onde saltam rastros visíveis de seu Complexo de Deus. Um Deus que além de suas providências, onipotência e onisciência, mostra-se também moralizante.

Para garatujar este complexo teo-moral, ela toma dois recursos ilustrativos:

1- A posição dos estudantes da UNB e a ação da polícia contra a posição dos estudantes. De ponto em ponto, pontuantes, ela vai implicando o governo Lula como responsável pelos acontecimentos na Universidade de Brasília. Um, porque não tomou providências para afastar o reitor, que segundo ela, a funcionária teo-moralizante, usou verbas públicas indevidamente. Dois, porque mandou a polícia enfrentar os estudantes, lembrando que antes o papel que hoje os estudantes desempenham era do antigo PT. Afirmando que o partido dos trabalhadores esqueceu todos seus ideais: comete atos que antes combatia.

2– Ela culpa o governo de usar a polícia para uma tarefa investigativa que não é a correta: investigar o vazamento dos dados dos computadores da Casa Civil. Que ela, juntamente com outras mídias congêneres, chama de dossiê. E os franceses continuam esnobando a sabedoria jurídica delas. Para ela, o que a polícia deveria fazer é “descobrir quem, como, quando e por que foi buscar um arquivo morto e sigiloso em outro prédio, para chantagear adversário político”. E continua teo-moralizante: “A chefia da Casa Civil, que determinou ou, no mínimo, autorizou o uso da máquina para fazer o dossiê? Ou quem não gostou desse modus operandi ditatorial e botou a boca no trombone e entregou os arquivos à imprensa”.

PONTOS TEO-MORALIZANTES

Na segunda garatuja ilustrativa, encontram-se emaranhados vários sintomas do Complexo de Deus. Ela afirma que alguém foi buscar em outro prédio um arquivo morto. Se ela diz que “alguém” “foi buscar no outro prédio”, ela sabe quem foi, pois alguém só é alguém para outra. Ainda mais quando faz um percurso visível que outro alguém pode ver. Além de reviver o “arquivo morto”, que são enunciação e não, dossiê, ela ressuscita Fernando Henrique, elevando-o como “adversário político”. De quem? Do Arthur? Ou do Serra? Ou do Aécio? De Lula e do povo brasileiro, não.

Outro momento teo-moralizante é quando afirma que “A chefia da Casa Civil (leia-se, para ela, Dilma Roussef), que determinou ou, no mínimo, autorizou…”. Como Deus, ela estava presente e viu tudo. E completa que alguém “não gostou desse modus operandi ditatorial e botou a boca no trombone”. Teologicamente entregou uma pista: para não gostar do “modus operandi”, é do PSDB. Tal qual a mesma. Isso fica constatado, principalmente, quando se atenta para os clichês que ela faz uso (boca no trombone), uma demonstração de forte convivência com Arthur“5,5%”Neto, o hexacampeão da fala vazia.

Mas como diz o adágio popular: “Quem muito esconde o bode um dia explode”, a talentosa funcionária da Folha, explodiu seu teo-moralismo: não revelou nada sagrado ao povo, e seu modo de agir e avaliar, só lhe afastou mais do civismo da profissão de jornalista. Além de revelar uma insuportável inveja da biografia de Dilma Roussef. Comportamento não aceitável em uma senhora já resolvida.

Torna-se mais visível seus anti civismo jornalistico, quando da confirmação, no presente, do texto sagrado: “Dizes-me com quem andas que te direi quem tu és”. Ao mesmo tempo que o nega no passado, quando trabalhou na década de 70 na Veja, sob o texto de Mino Carta. Negação comprovante que nada aprendeu. Ou, quem sabe, só aproveitou a companhia de Mino e outros engajados jornalistas para fazer um glamour de intelectual comprometida, visando o carreirismo. Comportamento comum naquela época. Tipos dos chamados generosos: aqueles que adoravam fazer gênero. E é, hoje, esta senhora que se arvora a desmoralizar o PT, cobrando-lhe posições passadas. Alguém perguntaria: “Da companhia de Mino pra cá, o que aconteceu com esta senhora, para fazer um jornalismo tão inútil e servil? Será que ela foi torturada e lhe fizeram lavagem cerebral?”.

E a senhora termina sua garatuja: “Deve doer na alma ter de defender tudo isso”.

2 pensamentos sobre “A TEO-MORAL DA MIDIANTE ELIANE CATANHÊDE

  1. Adailton,
    com essa interjeição de quem faz beicinho e bate pezinho, continue procurando, que você acaba encontrando alguma(s) coisa(s) que gostar ou não gostar no bloguinho. Já é uma escolha. E não esqueça de avisar os amigos!

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