IPEA REVELA FENÔMENO DE “ESCURECIMENTO DA POPULAÇÃO”
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, estudo onde mudanças no modo de pensar das pessoas revelaram um Brasil que para além de dados demográficos quantitativos se assumi como um país negro, afirmando um “escurecimento da população”.
Segundo a Agência Brasil, “de acordo com a publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, até o início dos anos 90, a população negra vinha aumentando de modo ‘relativamente lento e vegetativo’, por meio de uma taxa de fecundidade um pouco mais alta para pretos e pardos – além do fato de que descendentes de casais de negros e brancos terem maior probabilidade de ter filhos pardos”.
O estudo evidência o fato social das pessoas passarem a ter menos vergonha de se identificarem como negras e diminuírem a idéia de querer se “branquear” para se legitimarem socialmente.
Segundo o estudo, o movimento negro e a visibilidade maior da negritude como agente ativo dentro da sociedade contribuem para esta significativa mudança. “À medida que o debate da identificação racial ganha as páginas dos jornais e a sociedade vê que é um tema legítimo; que negros são apresentados nas telenovelas como personagens poderosos e não apenas empregados domésticos; são vistos compondo o Supremo Tribunal Federal (STF) e ocupando os mais diversos cargos na política; que o movimento negro sai da marginalidade e ocupa espaços no debate político, a identidade negra sai fortalecida”.
UM ESTUDO POSITIVO
A positividade do presente estudo salta da percepção de que ele não se limita à análise de dados constituídos e regulamentados por uma subjetividade segregadora. Onde a diferença entre os indivíduos passa a ser determinante em razão da cor, da classe social, da renda, de aspectos ascendentes, étnicos entre outros limitadores morais da força ontológica de cada um no mundo. Ao contrário, o estudo verifica a movimentação da potência negritude no Brasil. Movimento que ultrapassa as ações nocivas da falsa igualdade imposta pelo capitalismo onde ser igual é está preso a padronização dá lógica do mercado. Assim, seja negro, seja homoerótico, seja mulher, seja idoso, seja mendigo, seja o que for, é igual, legitimado na sociedade, quando se constitui como um consumidor ativo. Mas lá onde não há a cor nem a segregação impostas pelas regras e lei morais, há uma duração intensa. É lá onde a negritude é o devir minoria.