O QUE É AMIGO PARA AMAZONINO?
O candidato, representante da direita tradicional, à prefeitura de Manaus, Amazonino (PTB), em entrevista ao jornal A Crítica, pró sua candidatura, afirmou que “se” eleito não vai governar com amigos. Essa afirmação liberou, na ordem da filosofia política, uma proposição que pode se desdobrar em outras enunciações. O que é Amigo?
No universo do senso comum, o conceito amigo é apresentado em um difuso carrossel lingüístico da banalidade: “Você, meu amigo de fé, meu irmão, camarada.” “Amigo é quem está próximo de mim.” “Quem combina com minhas idéias.” “É aquele que quando preciso, não me falta.” “É quem adivinha minhas necessidades.” “É quem nunca me cobra nada.” “É aquele que na tristeza ou na dor, está sempre comigo.” Assim rodam as enunciações-clichês, todas afirmando o mesmo sentido: quem é útil a alguém. Quem serve ao individualismo de outro. Que permite o outro “se dar bem”.
O AMIGO FILOSÓFICO/POLÍTICO
Na composição e reflexão filosófica/política, amigo ganha o entendimento de criador-social. Tanto em seu significante, forma de enunciação sonoro-ótico, como em seu devir, movimento de produção coletiva. Encontramos essa potência coletiva já em seu étimo. No grego, Philo e, no latim, Amicus. Ambos como partículas do querer, desejar, amor. Amigo: aquele que ama. Em sociedade, ama o quê? Os outros nele mesmo como potência produtora da Democracia: a Sociedade dos Amigos. Um Plano de Imanência em que todos são constitutivos do Diálogo, a realização das pluralidades através do discurso como Bem Comum, e da Amizade, o amor de todos pela polis. Para o filósofo Hume, a simpatia que se estende a outrem pela estima. O que me faz alegre ao saber do contentamento de outrem. A verdadeira moral como consciência política. Em Cristo (de Maria, não de Paulo), meu próximo em mim mesmo. Em Nietzsche, o meu próximo como o vizinho do meu vizinho. Aquele que só alcanço ultrapassando a distância, quando saiu de mim. Em todos, o verdadeiro conceito de esquerda. O que não é possível na direita, dada sua natureza entrópica. Sempre voltada para si.
QUEM É “ESSE” NÃO-AMIGO DE AMAZONINO?
Tirando o PSDB e o PFL (apelidado de Democrata), o candidato do PTB, agrega em sua campanha a mais expressiva força das direitas. Breves exemplos: Seu vice entrou na chamada política conduzido, como outros, pela “fé” das “grejas” tele-miserabilistas; seu cabo eleitoral maior, que está com candidatura em julgamento, também é tele-miserabilista; a imprensa que o promove, adensa ao “jornalismo” de mercado, pouco ou nada carrega de democrática, assim como a maioria da radiodifusão, que sempre primou por seu cadinho econômico. Então, tomando o texto filosófico/político como direcionador, será possível encontrar amigo nesse harmônico carrossel? Lógico, não.
Daí, nessa proposição amigo, emergem duas sub-proposições-juízos:
1 – O candidato se referiu ao conceito amigo vivenciado pelo senso comum.
2 – O candidato têm não-amigos, esses que vão compor seu governo.
De qualquer sorte, só há democracia constitutiva de amigos. Só o que Manaus precisa.