NOS 65 ANOS DO ATAQUE À PRAIA DO GIRÓN, GOVERNO DE CUBA CELEBRA A RESISTÊNCIA À ‘HIPOCRISIA DO CARRASCO’ ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

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HOJE E SEMPRE

Documento destaca a defesa da soberania, cita aliados como China e Rússia e relembra soldados mortos na Venezuela

Pessoas seguram fotos do falecido líder Fidel Castro e de seu irmão, o ex-presidente Raúl Castro, durante as comemorações que marcam a vitória no 65º aniversário da invasão da Praia de Girón | Crédito: Yamil Lage/AFP

Às vésperas da comemoração dos 65 anos da resistência à tentativa de invasão dos Estados Unidos durante a Revolução Cubana, que será comemorada neste domingo (19), o governo do país caribenho emitiu uma declaração, “Girón é hoje e será para sempre!“.

O documento inicia lembrando que Cuba “vive sob o cerco permanente do governo dos Estados Unidos, cuja escalada de ameaças se intensificou nos últimos meses”. Faz um resgaste histórico das sanções à ilha, definindo-as como “a hipocrisia do carrasco”. Aponta nominalmente México, Rússia, China e Vietnã como países irmãos que ajudam a superar os bloqueios.

Os 32 combatentes cubanos que morreram durante o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, foram lembrados, assim como os jovens que ajudaram a evitar a infiltração de um lancha que invadiu o espaço marítimo na província de Villa Clara, em fevereiro.

“Somos uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres pacíficos e solidários; um povo que, a cada dia, com seu trabalho, realiza uma reivindicação de Cuba; e que, como nas areias da Praia do Girón, há 65 anos, sob o grito de ‘Pátria ou Morte’, obterá a vitória em defesa da soberania e do socialismo”, diz a parte final do documento. O texto encerra lembrando que este é também o ano do centenário de Fidel Castro e ratificando o chamado à mobilização nacional e internacional feito em dia 16 de abril pelo primeiro presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez: “Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo!’”

Leia a íntegra da declaração:

Declaração do Governo Revolucionário

“Girón é hoje e será para sempre!

Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo!

17 de abril de 2026

Cuba vive sob o cerco permanente do governo dos Estados Unidos, cuja escalada de ameaças se intensificou nos últimos meses. Ao brutal cerco energético, que agrava a política genocida de bloqueio das últimas seis décadas, somam-se as declarações de representantes da elite governamental norte-americana sobre pretensões de agressão militar.

O custo material e humano desse bloqueio constitui uma vergonha que recai sobre os ombros do governo do maior império de todos os tempos.

Trata-se de um ato ilegal e desumano, que viola o direito internacional, condenado anualmente por quase todos os países membros da Organização das Nações Unidas e que, conforme confirmam pesquisas recentes, é rejeitado pela maioria dos filhos da pátria de Lincoln.

Diante desse castigo coletivo, o povo cubano oferece os mais nobres e admiráveis exemplos de resistência. Desde que, no passado dia 29 de janeiro, foi decretado o estrangulamento na forma de um Decreto Executivo, tem sido ainda mais estoica a resposta deste povo, que continua enfrentando os desafios da escassez em cada tarefa ou atividade cotidiana.

Em meio a tais urgências, surge também uma teia de calúnias para desacreditar Cuba e seu governo. A partir da máquina midiática dominante, nos é imposta uma guerra desleal, repleta de exageros, mentiras e difamações, que nunca aponta o verdadeiro causador da situação criada e culpa o Governo Revolucionário pela crise que, de forma calculada e fria, é provocada por aqueles que nos agridem. Recorre-se a pretextos tão mentirosos quanto o de que nosso país constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos ou a designação como Estado que supostamente patrocina o terrorismo.

Assim se revela a hipocrisia do carrasco, cujas intenções são descritas no Memorando do subsecretário de Estado Lester Mallory, datado de 6 de abril de 1960 — numa fase tão inicial do processo revolucionário —, quando, em termos muito claros, ele expressa o verdadeiro sentido de sua política criminosa:

‘…empregar rapidamente todos os meios possíveis para enfraquecer a vida econômica de Cuba. (…) Uma linha de ação que, sendo a mais hábil e discreta possível, consiga os maiores avanços na privação de dinheiro e suprimentos a Cuba, para reduzir seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada do Governo.’

Esse assédio se estendeu também ao plano das relações bilaterais de Cuba com outros países. Os Estados Unidos exercem pressão constante sobre os governos da região, não apenas para que rompam laços diplomáticos com a Ilha, mas também para que abandonem seus próprios povos, expulsando profissionais de saúde que, durante anos, foram um porto de esperança para os mais pobres.

Isolar-nos também faz parte da estratégia deles; no entanto, existem no mundo pilares de dignidade, povos e governos que não se submetem. Aí estão os exemplos do México, da Rússia, da China, do Vietnã e de outros países irmãos. Aí estão os integrantes da Caravana Nuestra América, que, desafiando ameaças, pressões e riscos, em um gesto simbólico, decidiram nos entregar, além da ajuda material, seu apoio; reafirmando a máxima de Martí de que ‘quem se levanta hoje com Cuba se levanta para sempre’.

Herdeiros de um legado histórico, com o sangue mambisa e rebelde em nossas veias, honrando o exemplo e a coragem dos heróis e mártires da Pátria; como os 32 bravos combatentes cubanos que caíram na Venezuela e os jovens que frustraram a infiltração terrorista por Villa Clara, afirmamos hoje que Cuba nunca será um troféu, nem mais uma estrela da constelação norte-americana.

Somos uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres pacíficos e solidários; um povo que, a cada dia, com seu trabalho, realiza uma reivindicação de Cuba; e que, como nas areias de Playa Girón, há 65 anos, sob o grito de ‘Pátria ou Morte!’, obterá a vitória em defesa da soberania e do socialismo.

No ano do centenário do Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz, artífice da primeira grande derrota do imperialismo ianque na América; com o privilégio de que o General do Exército Raúl Castro Ruz, firme ao lado de seu povo, continue firme no comando; ratificamos o chamado à mobilização nacional e internacional feito neste dia 16 de abril pelo Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, e reafirmamos suas palavras:

‘Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo! O caráter socialista da nossa Revolução não é uma frase do passado, é o escudo do presente e a garantia do futuro!

Girón é hoje e é sempre!’ “

Editado por: Thaís Ferraz

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