ALGUNS TIPOS DE VOTOS E O PRECONCEITO DA CLASSE MÉ(Í)DIA

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Imediatamente após a proclamação dos eleitos à Câmara Municipal de Manaus, que será mais “telemática” do que a sua legislatura atual, saltaram dizeres pela mídia ou pelas rodas “bem pensantes” de parte da classe média manoniquim, criticando o chamado populacho, aquele que elege em troca de víveres essenciais à sobrevivência até o próximo amanhecer.

É comum associar a eleição maciça de apresentadores e parentes destes, que exploram a miséria social e estabelecem o escambo eleitoral: o mandato em troca de mais quatro anos de sobrevivência – melhor dizer, subvivência, com a pobreza e a miserabilidade, como se única e exclusivamente fosse aos ignorados pelas políticas públicas dos governos a responsabilidade pela presença de tais figuras no poder legislativo.

O CONFORTÁVEL E APASSIVADOR SOFÁ DA CLASSE-MÉDIA

A primeira sentença a se obter do discurso classe-média de que somente os miseráveis (econômicos) elegem os miseráveis (intelectivo-morais) é a de que, diante do montante de candidatos midióticos eleitos, há uma massa incontável de pobres habitando a cidade de Manaus. Estarão equivocados os indicadores do IPEA, as revistas internacionais, os economistas renomados? Ou terá Manaus perdido o vôo para a distribuição de renda mais igualitária promovida pelo governo Lula?

Seja real este quadro assustador de uma miséria que elege mais de ¼ dos representantes de uma cidade a partir da reação “barrigal”, ou estes eleitos tiveram um apoio direto e “indireto” da classe que agora reprova veementemente a sua eleição?

Que atitudes reais esta classe média “bem formada” e “bem pensante” toma no sentido de combater esta subjetividade nefasta, que reduz a política a um comércio midiático da miséria social promovida pelo Estado? Quantos lares dos bairros “bem habitados” ligam a rainha do lar, a Tevê, nestes programas diários de exibição, exploração e humilhação de pessoas ignoradas pelas políticas públicas? Mais: quantas famílias “de coração bem formado”, através da expiação da culpa cristã, doa alimentos e víveres de primeiras e segundas necessidades, apenas para o culto à dor e ao ressentimento de confirmação das disparidades sociais de classe na cidade de Manaus?

Quantos destes “corações bem formados”, médicos, professores, engenheiros, contadores, psicólogos, advogados, usam o saber adquirido nos bancos de faculdades, públicas ou privadas, menos como um produto de consumo e de troca comercial, e mais como instrumento de emancipação coletiva, a partir da sua atuação em seus postos de trabalho? Quantos são cientes da importância social de si e dos saberes dos quais são portadores (mas não proprietários) e dedicam ao menos um dia do ano para realizar atividades gratuitas em alguma comunidade onde estes serviços não são oferecidos pelo Estado?

Quantos preferem a prática quotidiana do controle remoto, confortavelmente acomodados no sofá, a reclamar do preço do feijão, da violência social, da miséria, bem teleguiados pelo noticiário nacional “isento” de Globo, SbesTeira, Band e demais irmãs siamesas, enquanto assistem aos programas dos futuros eleitos para a Câmara Municipal de Manaus? Bem pode ser também a câmara estadual, ou a federal, ou o senado, ou…

OUTRAS BENESSES, MESMA PRÁTICA

Um outro aspecto observável no discurso moralizador desta parte da classe média/mídia é o fato de que aquilo que é condenado no outro (na outra classe), é francamente tolerado entre os “iguais”.

Há uma anedota fálico-hominista conhecida e que diz que um homem oferece 100 Reais a uma mulher por uma noite de sexo. Ela, ofendida, afirma não ser prostituta, e se recusa. Outro homem chega e oferece 1 milhão de Reais para uma “rapidinha”, e ela aceita. Ele se revela amigo do anterior, e diz que não é o preço que faz a puta, mas a prática.

A classe média, como a classe desassistida pelas políticas públicas, não usam a razão para a escolha dos candidatos. Estes, muitas vezes, com a consciência obnubilada pela fome, pela violência diária. Aqueles, sem o agravante da fome, mesmo assim, todos disfrutando a fraternidade da venda do voto.

Há, nesta classe mé(í)dia, diversos tipos de voto:

– o voto familial: quem vota em parente por ser parente, não importando o grau de veneno serpentáico;

– o voto por procuração: aquele que vota em candidato que nunca viu e nem sabe quem é, apenas porque a amiga, o namorado, a vizinha pediram;

– o voto teofastro: aquele que elege o irmãozinho pelo poder da revelação divina através da boca abençoada do pastor/padre;

– o voto útil: aquele que é útil somente para quem o recebe, nunca para quem o dá;

– o voto-ilusão: aquele que é dado na ilusão da promessa de um cargo, de um emprego, um carro, uma casa…

– o voto-espelho: aquele que vota em corrupto achando que todos são corruptos (até ele mesmo);

– o voto-tradição: aquele que vota no candidato-filho por causa do candidato-pai, aquele que vota na candidata-esposa por causa do candidato-marido, que vota no irmão por causa do irmão…

– o voto-tapeação: aquele que vota no nome do candidato, e descobre que elegeu o filho ou um homônimo;

O VOTO POTÊNCIA-DEMOCRÁTICA

Além destes, há mil maneiras de vender o voto, mas há uma maneira de usá-lo como corpo-potência ativadora da democracia: compondo uma aliança, a partir da razão, com o candidato. Que o voto tenha saído da análise da condição social do eleitor no mundo, e da observação do quadro político da cidade onde ele vive, e das condições de existência da cidade: saúde, educação, transporte, infra-estrutura, artes e produção social ativa. E que o candidato seja a composição de dizeres e saberes comunitários, saído da razão desejante de uma cidade mais viva, onde a corrupção, que é a negação da Vida, não seja possível. Aí, poder-se-á falar em democracia.

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  1. ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSES TIPOS DE VOTO
    PORQUE ASSIM A GENTE FICA SABENDO SOBRE OS NOSSOS
    PROPRIOS DIREITOSE NOSSA PROPRIA LIBERDADE!

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