Tomada pelo étimo grego emaranhado no curso lingüístico latino, a democracia seria a práxis política imperturbável. Katros/Demos-Potência-Polis: Governo do Povo, pelo Povo, para o Povo. A essencialidade de si, para si, por si: nada estranho a si. A sociedade dos amigos. Imanência racional/dialógica. A predominância da homologia: a altercação lingüística e a homónoia: identidade de idéias.

BREVE HISTÓRIA DEMOSÓFICA

Certa vez o filósofo Heráclito, conversando com seus discípulos, pôs-se a preparar uma bebida chamada Kykeon: mistura de farinha de cevada, água e menta. No meio da dialógica filosófica, um discípulo perguntou-lhe o que era a homónoia. Ele nada respondeu, continuou mexendo, com uma espécie de colher, os três corpos no recipiente para que eles se misturassem. Heráclito mostrava que a democracia é a pluralidade de idéias compostas com o mesmo fim, a saúde do povo. Em linguagem impossível de ser entendida pela maioria dos representantes do parlamento e executivo: Democracia.

No grego, Polis é cidade. O morador da Polis é Político. Como Político, age para que seus meios tenham como fim a produção do Bem Comum: a satisfação de todos por entremeios dos deveres e direitos. A Polis é a Subjetividade que produz a Imanência/Socialidade: Todos são Potência-Ética-Estética construtora da beleza politéica do existir. Para isso, é preciso que cada um se cidadanize.

A DEMOCRACIA DE MANAUS

Tempo de eleição. A democracia, em sua essencialidade ontológica e epistemológica, é usurpada pela mais perversa (desvio de seu fim) teratologia: deformidade da sociedade dos amigos. A eleição da sordidez. Conduta social possível pelo convite do conceito de Democracia Representativa, em que qualquer um, dependendo da maioridade, pode se candidatar e usar qualquer expediente para ser eleito. E então, tornar-se um cidadão acima de qualquer suspeita. E ai daquele que se opor a esta patologia política, é condenado como anti-democrata: um ditador.

Como em quase todas as cidades do Brasil, esta “democracia” comandou o pleito. Manaus não ficou fora desta ordem dor. Durante o período de campanha valeu de tudo para escravizar muitos eleitores: chantagem, ameaças, promessas, disseminação terrorífica de uma futuro cruel, ou seja, quem detinha a força estúpida do dinheiro mandou ver sobre os miseráveis, principalmente grande parte da classe média, que precisa do delírio de que é amada. Candidatos dos executivos e candidato ex-executivo foram à luta com sentido de quem era mais entendedor da tal “democracia”. Funcionários ameaçados de perder seus cargos se fizessem campanha para candidato tido como adversário, quando se sabe que pela prática todos são iguais, empresários financiando velhos reacionários, jovens e velhos cooptados por promessas, imprensa venal, um verdadeiro festival de perversão anti-democrática.

O THE END

Contados os votos corrompidos, os candidatos que ficaram para a disputa do segundo turno, ex-prefeito biônico e governado, Amazonino (PTB), e Serafim (PSB), comemoram como insignes heróis defensores da normalidade democrática, já imaginando como será o ardor, do segundo turno, para a realização filosófica da Subjetividade grega: a “democracia”. Nesse território com estado de coisa e enunciação bem definida, nem pensar nos outros candidatos “perdedores”, como Praciano (PT), indesejável de Lula; Navarro (PCB) e Ricardo Bessa (PSOL), todos desabonados do vil metal “democrático”.

Da parte dos vereadores, tudo como orienta a “democracia participativa”: reeleitos os tradicionais reacionários, prontos para receberem com aplausos os novos. Entre eles,a fina dor da má consciência: apresentadores de programas de televisão que vampirizam o sofrimento dos abandonados, humilhados e ofendidos pelo Estado através dos governantes.

O Que é Isto – A Democracia em Manaus? Um princípio de equilíbrio dos nefastos, cujos valores é impor aos desamparados suas próprias infelicidades, e assim, viralmente, perpetuarem a cadeia do ódio à vida tomados como necessários para a sociedade, quando não são.

Mas não desesperemos da Democracia, pois como diz o filósofo Nietzsche, citando Rigveda: “Há tantas auroras que não brilharam ainda”.

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