PLANALTO IGNORA INSINUAÇÃO DE TRUMP SOBRE FRAUDE ELEITORAL APÓS VITÓRIA DE LULA
Governo brasileiro avalia que acusação de suposta fraude eleitoral não terá consequências e descarta resposta oficial, a menos que o presidente dos EUA volte a questionar o resultado
Lula e Donald TrumpCRÉDITO: RICARDO STUCKERT/PR | REUTERS
247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não responder oficialmente às declarações de Donald Trump, que levantou suspeitas sobre a legitimidade das eleições brasileiras após a vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação no Palácio do Planalto é de que o questionamento feito pelo presidente dos Estados Unidos não terá consequências práticas e, por isso, não justifica uma reação diplomática neste momento.
Lula foi reeleito no domingo (25), com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, candidato que contou com o apoio de Trump e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
O presidente dos Estados Unidos comentou o resultado apenas na tarde desta segunda-feira (26), quando sugeriu que a eleição brasileira havia sido manipulada, apesar de também destacar sua relação pessoal com Lula.
A afirmação não foi acompanhada de evidências que sustentassem a suspeita de manipulação do processo eleitoral brasileiro.
Planalto avalia que declaração não terá efeitos concretos
De acordo com a reportagem, a interpretação de interlocutores do governo brasileiro é de que Trump repetiu um comportamento já observado em outras disputas eleitorais: questionar a legitimidade de resultados políticos dos quais discorda.
Nesse contexto, integrantes do Executivo entendem que uma resposta direta poderia ampliar a visibilidade das acusações sem produzir benefícios diplomáticos para o Brasil.
A avaliação também considera a possibilidade de influência de setores do Departamento de Estado sobre o posicionamento de Trump, hipótese levantada por fontes governamentais ouvidas pela emissora.
Alckmin rebate Trump e defende soberania brasileira
Embora o governo não pretenda divulgar uma manifestação oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou publicamente a declaração do presidente norte-americano.
Em entrevista à Rede Vanguarda, nesta segunda-feira, Alckmin classificou a acusação como equivocada e ressaltou que nenhum país deve interferir nos assuntos políticos internos de outro.
“Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo não tem nenhum referencial pra dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo pro mundo. De urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide”, afirmou.
A manifestação do vice-presidente contrapõe diretamente o questionamento de Trump ao princípio da soberania nacional e à legitimidade da escolha dos eleitores brasileiros.
Alckmin também destacou a segurança do sistema eletrônico de votação, rejeitando a tentativa de colocar sob suspeita o resultado das urnas sem apresentar elementos que sustentem uma acusação de fraude.
Vitória de Lula recebe reconhecimento internacional
Outro fator considerado pelo governo brasileiro é o reconhecimento da reeleição de Lula por diferentes lideranças internacionais, que começaram a cumprimentar o presidente ainda no domingo, após a divulgação do resultado.
Entre os chefes de Estado e de governo que enviaram congratulações estão representantes de Uruguai, Paraguai, Chile, Equador, Guiana, Peru, Guatemala, República Dominicana e Bolívia.
A vitória do presidente brasileiro também foi reconhecida por lideranças de outras regiões, incluindo o presidente do Conselho Europeu, António Costa; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também cumprimentou Lula pela reeleição.
Nesta segunda-feira, o presidente brasileiro conversou por telefone com a presidente do México, dando continuidade aos contatos diplomáticos após o segundo turno.
Segundo a reportagem, pelo menos outros dez líderes internacionais manifestaram interesse em conversar por telefone com Lula.
A sequência de manifestações internacionais é vista pelo governo como um elemento que reforça o reconhecimento externo do resultado eleitoral e reduz a necessidade de responder diretamente às declarações de Trump.