FLÁVIO BOLSONARO É INVESTIGADO NO STF EM INQUÉRITO SOBRE DARK HORSE

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Mendonça determina investigação que apura suspeita de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos” no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro

Flávio BolsonaroCRÉDITO: ANDRESSA ANHOLETE/AGÊNCIA SENADO

247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instauração de um inquérito sigiloso para investigar a atuação do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, no financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro (PL). A apuração foca nas suspeitas da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

A determinação do magistrado ocorreu em julho deste ano, mas os desdobramentos sobre a participação direta de Flávio vieram a público recentemente após o STF retirar o sigilo do caso Master. O despacho de Mendonça integra o inquérito principal ligado ao Banco Master, contudo, o procedimento específico contra o parlamentar segue sob segredo de Justiça por conta de diligências em andamento conduzidas pela Polícia Federal (PF).

A abertura do inquérito foi solicitada pela Polícia Federal e contou com o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho transcrito pela autoridade judicial, lê-se a fundamentação apresentada pelos investigadores:

“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, proferiu Mendonça.

Repasses financeiros e sigilo das contas

Mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil apontam que Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro a quantia de R$ 131 milhões para viabilizar a produção cinematográfica. Planilhas apreendidas durante as operações da PF indicam que, desse total, cerca de R$ 60 milhões foram efetivamente quitados.

Em agenda de campanha eleitoral no estado de Roraima, o senador rebatia as acusações e negou qualquer tipo de envolvimento em irregularidades ou captação pública. “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, afirmou o candidato.

Apesar das declarações da defesa, a prestação de contas integral do longa-metragem nunca foi disponibilizada. A produtora responsável limitou-se a apresentar à Justiça os comprovantes de despesas executadas, enquanto o detalhamento do financiamento — captado por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos — permanece desconhecido.

As frentes de apuração no Supremo Tribunal Federal

O caso envolvendo o filme “Dark Horse” desdobra-se em duas linhas distintas de apuração no STF:

  1. A rota do Banco Master e offshores: Sob relatoria do ministro André Mendonça, a investigação busca identificar se os recursos de Vorcaro — investigado por fraudes milionárias no Banco Master — foram repassados à produtora do filme mediante triangulação com o fundo Heavengate, sediado em território norte-americano. A Polícia Federal analisa, inclusive, se os montantes serviram para cobrir despesas no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
  2. Delação premiada homologada: O ministro Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Proprietário da empresa Entre Investimentos e Participações, o empresário confirmou à PGR ter efetuado sete transferências bancárias para o fundo Heavengate ao longo do ano passado. As operações atingiram o valor de US$ 12,3 milhões (equivalente a R$ 69 milhões no câmbio da época) e foram realizadas a pedido direto de Vorcaro.
  3. Esquema de emendas parlamentares: Paralelamente, em apuração conduzida pelo ministro Flávio Dino, a Polícia Federal deflagrou operações focadas no uso irregular de verbas públicas. A ação mirou o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pela obra.

Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025. A suspeita da PF é de que esses recursos públicos, após passarem por uma rede de empresas, tenham sido direcionados ao custeio do filme.

De acordo com nota divulgada pela corporação, há indícios de uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados para direcionar verbas a empresas subcontratadas sem a devida prestação dos serviços. “Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”, declarou a Polícia Federal, que apura a ocorrência de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes licitatórias.

CORTES 247

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