CONTRATO PARA DARK HORSE FOI ASSINADO APÓS REPASSE A FUNDO LIGADO A EDUARDO BOLSONARO NOS EUA

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US$ 2 milhões de Daniel Vorcaro chegaram ao fundo Havengate, administrado por Eduardo Bolsonaro nos EUA, antes do contrato do filme

Por: Ivan Longo: 27/08/2026 – 
Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Eduardo Bolsonaro – Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial

Ocontrato entre o fundo Havengate, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e a produtora Go Up Entertainment para a produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi assinado 11 dias depois de um primeiro repasse milionário feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master que está preso, ao fundo. As informações foram reveladas pelo ICL Notícias a partir de documentos bancários e de um laudo pericial apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Segundo o laudo, elaborado a pedido da própria produtora, US$ 2 milhões foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate em 13 de fevereiro de 2025. O contrato entre o fundo e a Go Up Entertainment só foi formalizado em 24 de fevereiro de 2025.

A sequência dos acontecimentos indica que os recursos chegaram ao fundo antes da assinatura do acordo que estabeleceria oficialmente a relação entre o Havengate e a produção do filme. Agora, integrantes da família Bolsonaro tentam utilizar o mesmo documento produzido pela defesa da produtora como uma espécie de comprovação pública da regularidade da operação.

Repasse milionário ocorreu antes da assinatura do contrato

De acordo com o laudo pericial, o contrato entre o Havengate e a Go Up Entertainment foi assinado em 24 de fevereiro de 2025. Onze dias antes, porém, ocorreu a primeira transferência identificada nos documentos analisados.

Um comprovante bancário SWIFT obtido pelo ICL Notícias mostra que, em 13 de fevereiro, a Entre Investimentos e Participações realizou a transferência de US$ 2 milhões ao Havengate, por determinação de Daniel Vorcaro.

No dia seguinte ao envio do recurso, Fabiano Zettel encaminhou o comprovante bancário a Vorcaro acompanhado da mensagem “Filme!”. Segundo os documentos, a comunicação indicaria a relação entre a transferência e o projeto cinematográfico.

O laudo pericial da Go Up Entertainment, ao apresentar a relação contratual com o Havengate, não aponta documento anterior que formalizasse a vinculação da primeira remessa ao projeto antes da assinatura do contrato.

Produção de Dark Horse recebeu milhões do fundo

O laudo apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo aponta que todo o dinheiro utilizado na produção de Dark Horse— US$ 13,39 milhões, cerca de R$ 69 milhões — teve origem no fundo Havengate.

Segundo o documento, os recursos foram destinados a despesas de produção no Brasil, no valor de US$ 3,7 milhões, e nos Estados Unidos, onde foram gastos US$ 9,66 milhões.

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, havia se comprometido com um cronograma de repasses que chegaria a quase US$ 24 milhões. Desse total previsto, ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente pagos ao fundo estadunidense.

Após o agravamento da crise envolvendo o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro passou a cobrar Vorcaro com maior frequência pela retomada dos pagamentos.

Laudo usado por Flávio como “prestação de contas”

Em maio, Flávio Bolsonaro afirmou que divulgaria em até 30 dias o contrato e a prestação de contas referentes ao filme. O prazo, porém, não foi cumprido.

Posteriormente, o senador passou a apresentar o laudo pericial da Go Up Entertainment como a prestação de contas da produção.

O documento foi elaborado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco a pedido da defesa da própria produtora, empresa de Karina Gama, investigada pela Polícia Federal e pela polícia paulista. O perito informou que sua análise foi feita exclusivamente com base nos documentos disponibilizados pela produtora, sem acesso à totalidade dos dados obtidos nas investigações.

Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, também utilizou o documento em suas redes sociais. O ex-deputado compartilhou uma reportagem da Veja baseada no laudo, com o título “Dark Horse: sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor, diz perícia”, acompanhada da mensagem: “Morre mais uma narrativa. Próxima.”

O que não aparece na publicação é que se trata de uma perícia contratada pela defesa da própria produtora e produzida a partir dos documentos fornecidos pela empresa, com escopo limitado ao material disponibilizado para análise.

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