MARCO AURÉLIO, ADVOGADO DE LULINHA, DESAFIOU FLÁVIO BOLSONARO A ABRIR SIGILO SOBRE DARK HORSE: “61 MILHÕES DE MOTIVOS PARA EXPLICAR”

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“Desafio ele a abrir o sigilo bancário e fiscal”, diz Marco Aurélio Carvalho, que faz a defesa de Fábio Luiz, a Flávio Bolsonaro, que há 99 dias mente sobre “prestação de contas” de Dark Horse e a doação de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro.

Por: Plínio Teodoro: 26/08/2026 – 
Marco Aurélio Carvalho, advogado de Fábio Luís, e Flávio Bolsonaro (Fraga Folhapress / Marina Uezima AFP) – Marco Aurélio Carvalho, advogado de Fábio Luís, e Flávio Bolsonaro (Fraga Folhapress / Marina Uezima AFP)07:48

Advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e da campanha jurídica de Lula em São Paulo, desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a abrir seu sigilo bancário na véspera dos 100 dias em que mentiu ao prometer a disponibilizar o contrato sobre Dark Horse e a “prestação de contas por parte da produtora aqui no Brasil” em até 30 dias. A promessa foi feita no dia 19 de maio e até hoje o senador não explicou os cerca de R$ 61 milhões – 10 milhões de dólares – enviados por Daniel Vorcaro ao fundo Havengate, nos EUA, supostamente para financiar a cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro (PL).

“Fábio Luís colocou, de forma voluntária e espontânea o seu sigilo fiscal e bancário, à disposição da justiça. Logo depois, houve um pedido de quebra por parte da Polícia Federal com o consequente deferimento do ministro André Mendonça. Esses dados vazaram, vieram a público e não conseguiram encontrar um único real sequer de origem suspeita. O Flávio, ao contrário, já disse há muitos dias que ia explicar o que fez com os R$ 61 milhões de reais depositados pelo banqueiro. E ele não conseguiu explicar até hoje. Desafio ele a abrir o sigilo bancário e fiscal. Quero ver se ele consegue explicar a compra de 51 imóveis da família com dinheiro vivo. Nós temos 61 milhões de motivos para pedir uma explicação“, disse à Fórum o advogado.

Marco Aurélio Carvalho ainda compara os dois casos, de Fábio Luís e do senado, apontando o que classifica como “uma diferença fundamental”.

“Nós estamos falando de um lado do filho de um candidato e do outro do próprio candidato. É uma diferença fundamental e também uma diferença de posturas do pai de um com o pai de outro”, afirmou.

“O pai de um capturou as instituições a serviço de interesses políticos e eleitorais, em especial para blindar os seus filhos: o 01, o 02, o 03 e inclusive o 04. E também a milícia com a qual governou o país”, disse Marco Aurélio sobre a atuação do ex-presidente com os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro, todos alvos de investigações.

“O pai do outro colocou o filho à disposição da justiça e deixou claro que não quer que ninguém seja tratado como se estivesse acima da lei, embora saiba que não pode permitir que ninguém seja tratado como se estivesse tivesse abaixo dela. Precisa ter a mesma régua para Chico e para Francisco”, destacou o advogado, sobre a postura de Lula em relação a Fábio Luís.

“O pai de um eh mudou cinco diretores da Polícia Federal, diversos superintendentes da Polícia e da Receita para blindar a família e os parças. O pai de outro deu estabilidade às instituições para que pudessem promover investigações independentes e autônomas contra qualquer que fosse o alvo”, concluir Marco Aurélio à Fórum.

100 dias

m meio às mentiras e recuos ao ser confrontado com o áudio que o mostra cobrando Daniel Vorcaro, pivô do escândalo financeiro do Banco Master, de cerca de 24 milhões de dólares prometidos ao clã, Flávio Bolsonaro (PL) prometeu apresentar em 30 dias o contrato e a prestação de contas que indicaria que o dinheiro seria para suposto financiamento do filme Dark Horse, sobre o pai, Jair Bolsonaro.

A declaração ocorreu no dia 19 de maio e passados 99 dias, o senador não cumpriu a promessa e segue mentindo sobre a relação com o banqueiro, que enviou efetivamente 10 milhões de dólares ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, operador financeiro de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

“Eu vi a prestação de contas no g1. Dá um Google vocês no g1. A prestação de contas tá lá na matéria do g1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro]. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou”, afirmou nesta terça-feira (25), em tom de ironia citando o portal da Globo, ao ser indagado sobre a mentira.

Atuando em dobradinha com o candidato, o site da revista Veja vazou horas depois o que Flávio Bolsonaro tem declarado ser a prestação de contas.

O documento é um laudo pericial de defesa, contratado pela GoUp Entertainment Ltda, de Karina Gama, que é investigada tanto pela Polícia Federal, quanto pela polícia paulista, que recebeu o documento assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco.

Veja mente para embasar Flávio Bolsonaro

Na “reportagem”, a Veja busca embasar a mentira propagada pelo senador afirmando que a perícia teria concluído que DarK Horse foi produzido “sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor”.

No entanto, o perito diz por diversas vezes no documento, que foi anexado à investigação da polícia paulista, comandada por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que analisou apenas os dados enviados pela própria produtora comandada por Karina Gama e não todo o material que faz parte da investigação da polícia paulista.

“As conclusões apresentadas limitam-se ao material examinada e destinam-se a subsidiar a atuação da defesa e das autoridades competentes, quando cabível”, diz o laudo, que foi entregue à polícia paulista em junho, cerca de um mês após o início das investigações e dentro do prazo declarado por Flávio Bolsonaro para apresentar a “prestação de contas”.

O próprio laudo desmente a reportagem da Veja, que tem atuado em dobradinha com o filho “01” de Jair Bolsonaro, que diz que “o filme foi integralmente bancado por investimentos privados”.

A perícia ressalta nas conclusões do documento de 32 páginas – sendo que quatro delas são ocupadas para descrever a “qualificação do perito responsável” -, que o trabalho foi feito “com base nos documentos, extratos bancários, contratos, planilhas financeiras, demonstrativos das despesas e demais elementos disponibilizados à perícia” pela empresa de Karina Gama.

Um detalhe importante: nenhum dos documentos que teriam sido analisados e que são citados pela perícia constam nos anexos do documento. Ou seja, não há quaisquer provas documentais sobre o que é descrito no laudo – leia a reportagem e acesse a íntegra do laudo.

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