O portal The Guardian publicou nesta segunda (29) uma reportagem avassaladora sobre casos de crianças palestinas que vivem na Cisjordânia (território entre Israel e o Rio Jordão que, junto com a Faixa de Gaza, forma o Estado Palestino) que foram mortas por soldados ou até mesmo colonos de Israel, sem que nenhuma investigação tenha sido aberta ou resultado em punição para os autores.
A matéria conta a história de crianças de 9 a 12 anos que foram assassinadas enquanto brincavam na rua. No total, 235 crianças e adolescentes palestinos foram mortos pelas forças israelenses na Cisjordânia – além de outros cinco mortos pelos próprios colonos – desde 7 de outubro de 2023, apontou o The Guardian. “Essa data marcou o início da guerra em Gaza, desencadeada por um ataque do Hamas ao sul de Israel, que matou cerca de 1.200 israelenses (dos quais cerca de 800 eram civis e 38 eram crianças)”, relembrou o portal.
A guerra de Israel em Gaza já deixou mais de 72.000 palestinos mortos, sendo que 21.000 deles crianças. Na Cisjordânia (região composta por cerca de 3 milhões de palestinos e 700 mil colonos israelenses), “as regras militares foram flexibilizadas e a impunidade é a norma”, disparou o The Guardian.
A organização de direitos humanos Yesh Din levantou que “nenhum israelense foi indiciado pelo assassinato de um palestino desde outubro de 2023”. Em outro estudo, de uma comissão internacional independente da ONU, ficou evidenciado que “as autoridades e forças de segurança israelenses têm como alvo deliberado crianças palestinas, resultando em genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Faixa de Gaza e crimes de guerra na Cisjordânia.”
Nesta segunda (29), outro grupo de direitos humanos, o B’Tselem, publicou um relatório afirmando que “o assassinato generalizado e sem precedentes de crianças e adolescentes palestinos na Cisjordânia é resultado da política mais ampla de Israel que permite o assassinato de palestinos sem responsabilização”. De acordo com o trabalho, somente em 2025, 54 crianças e adolescentes palestinos foram mortos pelas forças israelenses. Segundo o presidente da associação, “o sistema não apenas apoia os atiradores – na prática, ele lhes dá uma licença para matar”.
Do outro lado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram, por meio de porta-voz, que o exército “não visou intencionalmente civis inocentes” e que está combatendo “terrorismo”. “Todas as alegações de danos a indivíduos não envolvidos são examinadas e investigadas”, disse o porta-voz ao The Guardian.