CONSELHOS DE BAIRRO REALIZARAM UMA GRANDE REUNIÃO MUNICIPAL NA BOLÍVIA PARA EXIGIR A RENÚNCIA DE RODRIGO PAZ
afinsophia 03/06/2026 0
33 DIAS DE PROTESTOS
Líderes ratificaram que as organizações sociais permanecem firmes nos pontos de bloqueio e que não desistirão
Moradores de diferentes distritos de El Alto e do departamento de La Paz realizaram um grande comício na ponte La Ceja para participar do chamado “Grande Conselho por uma Bolívia Livre e Soberana”.
Entre as principais demandas da base estão a exigência da renúncia do presidente Rodrigo Paz — que tomou posse há quase sete meses, a libertação de líderes detidos, a anulação de projetos de lei como a chamada Lei Antibloqueio e a rejeição das iniciativas de privatização que o governo busca realizar.
A reunião na ponte La Ceja causou o fechamento total da passagem veicular pelo setor e afetou o acesso ao Aeroporto Internacional de El Alto.
Os manifestantes disseram estar em alerta devido ao descumprimento do Estado e à ameaça do presidente Rodrigo Paz de decretar estado de sítio e recorrer às Forças Armadas para reprimir as manifestações.
“El Alto sempre esteve à altura da tarefa de defender nossos recursos naturais, nossa democracia, e sempre precisamos ter isso em mente, porque eles são um bastião revolucionário do povo boliviano”, disse Argollo durante sua participação na prefeitura.
No meio do comício, em que foi ouvida a detonação da dinamite, os porta-vozes ratificaram que as organizações sociais permanecem firmes nos pontos de bloqueio e que não baixarão as armas após mais de 30 dias de protestos que mantêm o departamento de La Paz cercado.

Os setores mobilizados indicaram que as determinações mais importantes serão assumidas por meio de uma resolução oficial ao final do dia, que marcará o início de novas ações de força.
Apesar do apelo do Executivo ao diálogo, os bairros e as bases sindicais que apoiam as mobilizações, que registraram até 90 bloqueios em sete departamentos no 33º dia de protestos, ratificaram que a principal solução para a crise é a renúncia do governante boliviano.
A maior concentração de bloqueios está localizada no departamento de Cochabamba, especificamente na área rural que conecta a Santa Cruz, seguida pelo departamento de La Paz, onde os protestos estão em vigor há um mês. Essa situação gerou uma grave escassez de alimentos e combustível nas cidades de La Paz e El Alto.
A escassez levou a longas filas nas bombas de combustível, nas quais os motoristas passam de dois a quatro dias inteiros esperando para abastecer a gasolina. Diante da longa espera, as próprias companhias aéreas decidiram realizar bloqueios de rua em ambas as cidades para pressionar o executivo nacional a resolver a crise generalizada.
Ao mesmo tempo, os pontos de concentração nas estradas tornaram-se o eixo central da atenção pública porque as mobilizações no centro da capital boliviana cessaram há três dias úteis.
A tensão social se agrava após a anulação, pela Assembleia Legislativa, controlada por 93% dos direitos, da lei que limita a declaração do estado de emergência. Essa medida deixou o Executivo com luz verde para incorporar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FF.AA) na repressão do protesto social diante da resistência da Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB) e de outros sindicatos, organizações e movimentos sociais mobilizados.