EXTREMISMO
Alvaro Bianchi alerta para “capacidade infinita de produzir maldades” do capitalismo
O fascismo é necessariamente um movimento antiliberal? Esse é um dos questionamentos que conduzem o livro “Fascismo e liberalismo – afinidades seletivas” (Boitempo, 2026), do professor de ciência política Álvaro Bianchi.
A obra mostra que houve, inclusive, uma corrente liberal dentro do movimento fascista nos seus primeiros anos. “A partir de 1925, os fascistas percebem a necessidade de definir mais claramente o seu programa e a sua ideologia. E começam a vir algumas tentativas de alguns intelectuais do fascismo. O primeiro deles foi Alfredo Rocco, que é um personagem muito importante, um jurista proveniente do velho movimento nacionalista italiano. Ele escreve o primeiro esboço de uma doutrina, que era como eles chamavam, fascista”, conta.
Ao trazer a discussão para o presente, Bianchi classifica o fenômeno do bolsonarismo como uma “coalizão discursiva de extrema direita”. Ele argumenta que o movimento une diferentes grupos: ultraliberais, conservadores cristãos, militares autoritários e uma vertente neofascista.
Para ele, embora o neofascismo não fosse a única ou a principal corrente no governo Bolsonaro, a união com a agenda neoliberal de Paulo Guedes foi o que permitiu sua viabilidade eleitoral e o apoio de setores da elite econômica.
Ao encerrar, Bianchi deixa um alerta sobre os perigos contemporâneos. “Há quem defina o fascismo como a forma suprema do mal. Bem, nós podemos dizer que o fascismo foi a forma suprema do mal no século 20, mas não devemos subestimar a capacidade do capitalismo de produzir novas formas de maldades. Podem surgir maldades ainda piores, representações do mal mais violentas, mais agressivas, que ataquem ainda mais os direitos dos trabalhadores”, afirma.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.