LIVRO DESTRINCHA AFINIDADES ENTRE FASCISMO E LIBERALISMO

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EXTREMISMO

Alvaro Bianchi alerta para “capacidade infinita de produzir maldades” do capitalismo

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Capa do Livro “Fascismo e liberalismo – afinidades seletivas” (Boitempo, 2026) | Crédito: Divulgação/Boitempo

O fascismo é necessariamente um movimento antiliberal? Esse é um dos questionamentos que conduzem o livro “Fascismo e liberalismo – afinidades seletivas” (Boitempo, 2026), do professor de ciência política Álvaro Bianchi.

Ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, Bianchi explica que o fascismo italiano nasceu com uma “confusão ideológica” proposital, priorizando a ação sobre a doutrina. E afirma que não, o fascismo não é antiliberal — pelo contrário. “O movimento fascista nasce, evidentemente, com um programa político. Mas no fascismo italiano, em 1919, confluem diversas correntes: ex-militares que participaram da Primeira Guerra Mundial e se sentiram traídos principalmente pelos socialistas, que eram contra a guerra; artistas futuristas como Felipo Tomás Marinete; e militantes provenientes do antigo sindicalismo revolucionário, que haviam rompido com o socialismo e se organizavam em torno de Mussolini e do jornal El Popolo. No começo, os fascistas se definiam como movimento, como atitude diante da vida, como revolta espiritual contra o mundo de sua época, e afirmavam que o movimento era ação e não programa, ação e não doutrina. Havia muita confusão”, explica.

A obra mostra que houve, inclusive, uma corrente liberal dentro do movimento fascista nos seus primeiros anos. “A partir de 1925, os fascistas percebem a necessidade de definir mais claramente o seu programa e a sua ideologia. E começam a vir algumas tentativas de alguns intelectuais do fascismo. O primeiro deles foi Alfredo Rocco, que é um personagem muito importante, um jurista proveniente do velho movimento nacionalista italiano. Ele escreve o primeiro esboço de uma doutrina, que era como eles chamavam, fascista”, conta.

Ao trazer a discussão para o presente, Bianchi classifica o fenômeno do bolsonarismo como uma “coalizão discursiva de extrema direita”. Ele argumenta que o movimento une diferentes grupos: ultraliberais, conservadores cristãos, militares autoritários e uma vertente neofascista.

Para ele, embora o neofascismo não fosse a única ou a principal corrente no governo Bolsonaro, a união com a agenda neoliberal de Paulo Guedes foi o que permitiu sua viabilidade eleitoral e o apoio de setores da elite econômica.

Ao encerrar, Bianchi deixa um alerta sobre os perigos contemporâneos. “Há quem defina o fascismo como a forma suprema do mal. Bem, nós podemos dizer que o fascismo foi a forma suprema do mal no século 20, mas não devemos subestimar a capacidade do capitalismo de produzir novas formas de maldades. Podem surgir maldades ainda piores, representações do mal mais violentas, mais agressivas, que ataquem ainda mais os direitos dos trabalhadores”, afirma.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Thaís Ferraz

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