Dados da empresa Lloyd’s List Intelligence mostram que cerca de 80 embarcações atravessaram o estreito na semana de 13 a 19 de abril, em comparação com cerca de 130 ou mais travessias por dia antes da guerra. Dezenas de navios foram atacados desde o início da guerra, e a ONU informou que pelo menos 10 marinheiros foram mortos.
Com a intensificação do confronto indireto entre Irã e Estados Unidos, embarcações passaram a evitar a travessia, enquanto outras ficaram retidas em meio ao impasse.
Na prática, especialistas já descrevem a situação como um “bloqueio de fato” — ainda que não formalizado por um único ator. De um lado, Teerã pressiona e ameaça restringir a circulação; de outro, a presença militar americana eleva o risco de confronto direto, criando um ambiente de dissuasão que inviabiliza o tráfego comercial.
O impacto vai além da crise humanitária envolvendo os trabalhadores no mar. A interrupção da rota afeta cadeias globais de abastecimento e reacende temores de alta nos preços de energia, com potencial de pressionar a inflação em diversas economias, incluindo países importadores.
Em meio ao impasse, o Irã sinalizou uma tentativa de destravar a crise ao propor a reabertura do estreito por meio de um acordo que não incluiria, ao menos inicialmente, negociações sobre seu programa nuclear. A proposta busca ampliar o apoio internacional ao focar no impacto econômico imediato da crise.
A iniciativa, no entanto, esbarra na posição dos Estados Unidos, que insistem em vincular qualquer entendimento a garantias mais amplas sobre a questão nuclear. O resultado é um impasse diplomático que mantém a região sob tensão e prolonga a incerteza nos mercados.
Com Al Jazeera e Euronews