IRÃ APRESENTA PROPOSTA PARA REABRIR ORMUZ E CULPA EUA POR ENTRAVE NAS NEGOCIAÇÕES

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DIÁRIO DA GUERRA

País quer proibir passagem de navios hostis e cobrar pedágio em sua moeda

Estreito de Ormuz | Crédito: Jacques Descloi/Wikimedia Commons

O Irã está elaborando um projeto de lei que concederia às suas Forças Armadas o controle sobre o Estreito de Ormuz, passagem fluvial estratégica submetida atualmente a um bloqueio duplo, estadunidense e iraniano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (27) por Ebrahim Azizi, presidente da comissão parlamentar de segurança nacional, responsável por analisar o texto.

Azizi afirmou à televisão estatal que o Exército passaria a controlar o estreito para, entre outras coisas, proibir a passagem de “navios hostis”. O projeto prevê também que o pedágio de passagem seja pago na moeda local, o rial iraniano.

Também nesta segunda, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou à Rússia para conversas com o presidente Vladimir Putin, como parte dos esforços para pôr fim à guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Araghchi declarou à imprensa iraniana que viajou à Rússia “com o objetivo de dar continuidade às estreitas consultas entre Teerã e Moscou sobre questões regionais e internacionais”.

O chanceler disse que as “exigências excessivas dos Estados Unidos” levaram ao fracasso das negociações. “A abordagem dos EUA fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos, devido às exigências excessivas”, afirmou.

Enquanto isso, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que Teerã não iniciará negociações enquanto o bloqueio permanecer em vigor. A declaração surge após o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmar que suas forças continuam a implementar o bloqueio, impedindo a entrada e saída de embarcações das águas territoriais iranianas.

“As forças americanas ordenaram que 38 navios retornassem ao porto”, declarou o Centcom.

O analista da Al Jazeera Usaid Siddiqui disse que “as tensões entre os Estados Unidos e o Irã atingiram outro ponto crítico. Embora um frágil cessar-fogo esteja se mantendo, os esforços para transformar a trégua de quase três semanas em um acordo permanente parecem ter estagnado”.

“As esperanças de negociações na capital paquistanesa, Islamabad, no fim de semana, dissiparam-se depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou a visita de seus enviados, visto que tanto o Irã quanto os EUA permanecem firmes em suas respectivas exigências, especialmente em relação ao programa nuclear de Teerã e ao controle do Estreito de Ormuz.”

No entanto, ele diz que o impasse reflete uma desaceleração nas negociações, e não um colapso, citando diversos exemplos históricos que ilustram como a diplomacia raramente é linear, sendo frequentemente marcada por impasses, contratempos e negociações nos bastidores.

Sem negociações diretas

O Exército israelense anunciou bombardeios contra posições do movimento pró-iraniano Hezbollah na região do Bekaa, no leste do Líbano. O dirigente do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou sua rejeição categórica às negociações diretas entre Líbano e Israel.

“Para nós, estas negociações diretas e seus resultados são como se não existissem, e não nos dizem respeito”, disse.

O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o objetivo das negociações diretas com Israel é “acabar com o estado de guerra” com o país e acrescentou, em referência ao grupo pró-iraniano Hezbollah, que a verdadeira “traição” é praticada por aqueles que “levam seu país à guerra para alcançar interesses estrangeiros”.

“Asseguro a vocês que não aceitarei chegar a um acordo humilhante”, declarou.

Nos Estados Unidos, Donald Trump terá uma reunião nesta segunda-feira para discutir a guerra do Irã com seus principais conselheiros de Segurança, informaram o portal Axios e o canal ABC News. Trump declarou, no domingo (26), que o Irã pode fazer contato com o seu governo após ter cancelado, no sábado (25), a viagem de seus enviados ao Paquistão.

“Eu disse: não vamos mais fazer isso. Temos todas as cartas nas mãos. Se eles [os iranianos] quiserem conversar, podem vir nos ver ou nos telefonar. Já sabem que há um telefone, temos boas linhas seguras”, declarou o mandatário à emissora Fox News.

Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira diante da incerteza sobre o diálogo de paz entre Estados Unidos e Irã.

O barril de West Texas Intermediate, referência do mercado estadunidense de petróleo, era negociado acima de US$ 96. A cotação do Brent do Mar do Norte, referência mundial, se aproximava de US$ 110.

Editado por: Rafaella Coury

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