“O IRÃ ENCERRARÁ A GUERRA QUANDO DECIDIR FAZÊ-LO”, AFIRMOU TEERÃ AO REJEITAR PLANO DOS EUA
afinsophia 25/03/2026 0
Teerã classifica oferta de cessar-fogo como desconectada da realidade e afirma que não aceitará imposições de Donald Trump

“O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas“, declarou o governo iraniano. A manifestação ocorre em um momento de alta tensão, iniciado em 28 de fevereiro, após uma ofensiva coordenada entre EUA e Israel que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de diversos integrantes da cúpula do regime.
O impasse diplomático
A proposta americana foi entregue a Teerã por intermédio do Paquistão, que tenta se posicionar como mediador central do conflito. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, ofereceu o país como sede para eventuais negociações presenciais entre as partes, ideia que recebeu atenção do presidente Donald Trump em suas redes sociais.
Os 15 pontos de Washington
O documento elaborado pela Casa Branca estabelece exigências rigorosas que afetam a soberania militar e a política externa iraniana. Entre os pontos principais, detalhados por fontes diplomáticas e pelo jornal The New York Times, estão:
- Desarmamento: O compromisso de nunca desenvolver armas nucleares e a limitação do alcance e quantidade de mísseis balísticos.
- Infraestrutura: A desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow.
- Geopolítica: O fim do financiamento a grupos aliados, como Hamas e Hezbollah, e o reconhecimento do direito de Israel à existência.
- Navegação: A criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Em contrapartida, os EUA oferecem alívio de sanções econômicas e cooperação em programas nucleares para fins civis.
Conflito regional e sucessão
Enquanto a diplomacia patina, o cenário no terreno é de devastação. Desde o início da guerra, mais de 1.200 civis morreram no Irã, segundo organizações de direitos humanos. O conflito se expandiu para o Líbano, onde Israel realiza ataques aéreos contra o Hezbollah, que reagiu à morte de Khamenei com ofensivas em território israelense.
A sucessão interna no Irã também adiciona pressão à crise. O conselho iraniano elegeu Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, como o novo comandante supremo. A escolha foi duramente criticada por Trump, que classificou a ascensão de Mojtaba como um “grande erro” e afirmou que a nova liderança é “inaceitável” para os interesses americanos na região.