SEM PREOCUPAÇÃO COM A LEGITIMIDADE, REPRESENTANTE DA ELITE APOIADO PELOS EUA ASSUME O PODER NO HAITI
afinsophia 10/02/2026 0
FANTOCHE DOS EUA?
Apoiado pelos EUA, premiê Alix Didier Fils-Aimé passa a chefiar sozinho o governo haitiano
- SÃO PAULO (SP)
- RODRIGO DURÃO COELHO
Após pressão direta dos Estados Unidos, Alix Didier Fils-Aimé assumiu no último sábado (7) o comando do Executivo do Haiti. Setores progressistas do país, no entanto, destacam que Aimé, que atualmente ocupa o posto de primeiro-ministro, é comprometido com interesses de estrangeiros, da elite haitiana e não demonstra disposição de aumentar a pouca legitimidade que possuí junto a população do Haiti.
“Essa empresa será encarregada de modernizar a alfândega e controlar as fronteiras entre o Haiti e outros países. Assim, Alix Didier Fils-Aimé está prestes a entregar o controle da alfândega e das fronteiras do país a mercenários estrangeiros.”
“Os documentos desse contrato foram submetidos ao Tribunal Superior de Contas para revisão. É urgente que a sociedade pressione o Tribunal Superior de Contas para impedir a aprovação deste projeto.”
A correspondente do Brasil de Fato para o Haiti, Cha Dafol, destaca que “a grande maioria da população não reconhece o primeiro-ministro como seu governante”.
“Ele nunca foi eleito para nada, foi nomeado primeiro-ministro e, pela primeira falando após a queda do governo transitório, fez a metade inicial de seu discurso em francês, mesmo sabendo que a grande maioria da população não o entenderia”, diz.
Dafol ressalta que poucos haitianos falam francês, idioma dos antigos colonizadores. Os haitianos de fato falam o crioulo, idioma usado apenas na segunda metade do discurso de Aimé. “Por isso, neste discurso, ele estava falando com a elite e estrangeiros”, afirma.
Ameaça da ataque dos EUA
A posse de Aimé ocorre em contexto de ameaça de Washington. Quando, em janeiro, ficou claro que o Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerraria seu mandato de dois anos tendo falhado em sua missão principal, a de criar condições para novas eleições, o próprio órgão começou a avaliar alternativas para evitar um vácuo de poder.
Entre as opções debatidas, estavam a criação de um novo conselho de transição, com menos integrantes ou pedir ajuda à Comunidade do Caribe (Caricom). Mas a opção que prevaleceu foi a de nomear apenas Aimé para chefiar o Executivo, como exigiu a embaixada dos Estados Unidos.
A representação de Washinton em Porto Príncipe afirmou qualquer tentativa do CPT de mudar a composição de governo seria visto como uma ameaça a estabilidade da região e “tomará as medidas adequadas em conformidade”. Além disso, os EUA mandaram três navios de guerra para o litoral haitiano foi ferramenta de pressão para garantir o poder do premiê.
“A população haitiana notou a presença de vários navios de guerra dos EUA atracados nas águas de Porto Príncipe, capital do Haiti, no domingo, 1º de fevereiro. O governo haitiano não divulgou nenhuma declaração oficial explicando o motivo da presença dos navios de guerra em águas haitianas”, disse a Radyo Rezistans.
“De acordo com um comunicado da embaixada dos EUA, a presença desses navios em águas haitianas é uma prova de que o governo dos EUA está protegendo o Haiti da insegurança e quer ver a paz no país.”
Mas o coletivo de comunicadores populares afirma que “para manter o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé no poder e destituir os membros do CPT, que haviam deposto o primeiro-ministro nomeado pelo próprio CPT, os Estados Unidos declararam guerra ao Haiti. Este é um nível verdadeiramente desprezível de comportamento criminoso por parte do governo dos Estados Unidos.”
Ao Brasil de Fato, o jornalista haitiano Reyneld Sanon disse que “no geral, a população está com raiva da pressão exercida pelos EUA e o Canadá para manter Alix Didier Fils-Aimé no poder. Porém, não houve mobilização na frente das embaixadas, porque as pessoas sentem que os navios de guerra e os soldados estadunidenses podem intervir em qualquer momento.”
“Aimé não está aqui para governar o país, é um servo que os EUA colocaram lá para executar seu plano imperialista. Por exemplo, ele permitiu que diversas empresas estadounidenses obtivessem contratos de centenas de milhões de dólares, Tanto ele como o secretário de estado Mario Andresol e o diretor da Policia Vladimir Paraison têm uma boa relação com as gangues criminosas e o apoio das embaixadas dos países imperialistas.”
O jornalista diz acreditar que, mesmo que se realizem eleições, o resultado será que a burguesia dominante siga no poder. “Desde que os soldados estadunidenses deixaram o pais em 1934, foi apenas em 1990 que houve eleições livres e democráticas. É o imperialismo que sempre controla as eleições no Haiti, é ele que dá o resultado.”
Com o país sem realizar eleições desde 2016, o CPT tomou posse no Haiti, em abril de 2024, para realizar uma transição no país após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, que estava no Poder desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021.