Todo mundo que se interpõe à investida da PF leva tiros de O Globo.

A campanha contra Dias Toffoli está, rapidamente, ganhando o selo de ordem unida, e com uma característica nesses tempos de redes sociais: os jornalistas aderindo com suas redes.
Ontem, o X de Guga Chacra estampava elogios à notícia de que a esposa de Alexandre de Moraes estava em uma ação que chegou ao Supremo. Foi alertado que era um falso escândalo. A ação corria na 1ª Instância e a juíza direcionou para o STF, sem nenhuma interferência das partes.
É o caso da matéria “Diretor do BC pediu ao presidente do BRB que comprasse carteiras fraudadas do Master”. O padrão é o mesmo. A matéria se baseia em mensagens colhidas no celular de Paulo Henrique Costa – mais um vazamento da perícia da PF. Mas a repórter – que produz 3 matérias por dia – afirma ter tido tempo de ouvir “três fontes a par do assunto”. “As mensagens foram mostradas pelo próprio presidente do BRB aos conselheiros, inclusive a tela do celular em que se constatava que Ailton era o contato que enviava as mensagens”. Mera coincidência, que a tela fosse a mesma vistoriada pela perícia da PF.
Todo mundo que se interpõe à investida da PF leva tiros de O Globo.
O Procurador Geral da República, Paulo Gonet, que não aceitou a tese do afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso, merece uma matéria “denunciando” divergências que teve com a PF nos últimos anos e concessões que teria feito a políticos, ao segurar a sede de prisões que fazem parte da fabricação do marketing da PF. Aliás, todas as matérias usam e abusam do termo “desconforto” – uma marca registrada da fábrica de escândalos de O Globo.
Gonet é acusado de postergar uma investigação sobre a ABIN, que interessaria ao governo. Nenhuma palavra sobre a postergação de uma investigação sobre os abusos da Lava Jato. Nenhuma informação, obviamente, sobre as investigações do MPF contra a Globo, por suborno em torneios futebolísticos, após o MP da Espanha ter enviado a delação de um ex-presidente do Barcelona, envolvido no episódio. A ação, em plena campanha da Lava Jato I, perdeu-se nos arquivos do MInistério Público Federal.
Contamos esse episódio em 22.6.2017: “Como a Globo caiu nas mãos do FBI”, mostrando outro aspecto das interferências dos Estados Unidos na Lava Jato.
Vamos separar os temas.
O Ministro Dias Toffoli tem seus demônios para enfrentar. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) tem que ser defendido. Não há nenhuma medida de Toffoli que possa ser questionada. De lado a lado – de Toffoli e da PF – são muxoxos, Toffoli acusando a PF de demorar, fontes da PF “mostrando desconforto” com a maior ou menor pressa.
Uma das matérias de O Globo é sobre a nota do presidente do STF, Luiz Edson Fachin, de apoio à manutenção de Toffoli na relatoria. No meio da nota, a informação de que ela foi apoiada pela maioria dos Ministros do STF e “foi bem recebida por outros integrantes da cúpula do Judiciário”.
Na sequência, a velha esperteza de relacionar fatos sem relação direta com o caso, como o intertítulo que fecha a reportagem: “Vorcaro prefere STF”. A troco de quê esse intertítulo? Apenas para reforçar o jornalismo de insinuações, de que todos os movimentos – de Toffoli, de Fachin, de Gonet – tem relação com a preferência de Vorcaro.
Todo esse aparato jornalístico, o jogo de insinuações, a insistência na repetição reiterada das mesmas acusações, caracterizam todas as campanhas históricas da Globo, de desestabilização das instituições.
A reação institucional
A decisão do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, de não se meter com o STF é um gesto de afirmação das instituições. Assim como a nota de Fachin.
Some-se o fato de que não há nada que mostre qualquer interferência indevida de Toffoli no inquérito. Essa história de prazos a menos ou a mais, é muito mais o exercício do “mal estar”, que caracteriza um certo tipo de jornalismo.
O fato objetivo, até agora, é que alguém da Polícia Federal vazou para a mídia dados do celular de Daniel Vorcaro e agora está vazando dados do celular do dirigente do BRB. É uma transgressão continuada, que compromete todo o trabalho da PF, de recuperação da imagem. Mas nada foi feito para identificar o(s) vazador(es).
Foi esse vazamento que levou Toffoli, de forma algo destrambelhada, a avançar o sinal, e indicar um grupo de peritos de confiança para o caso — todos da PF e conhecidos pelo profissionalismo.