COMO ESTARIA A ECONOMIA SEM A LAVA JATO? PESQUISADOR DO DIEESE RESPONDE
Operação destruiu a construção civil e causou prejuízo de mais de R$ 172 bilhões que deixaram de ser investidos
Crédito: Divulgação/ Camargo Correia
Para explicar como foi o processo de análise da Lava Jato, que completou 10 anos no último domingo (17), o programa TVGGN 20h recebeu o economista Leandro Horie, do Dieese, que contou ao jornalista Luis Nassif que o departamento teve acesso às tabelas do Tribunal de Contas da União com todas as 14 mil obras paradas devido à operação.
Segundo Horie, os economistas do Dieese contaram ainda com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fim de calcular como seria o Brasil se a Lava Jato não existisse.
“A partir daí, a gente sabia que no setor rural dentro desses dados tinham x milhões de empregos. Esse é um dado consolidado. Criamos um método que simulava o mundo sem a Lava Jato. Isso gerava valor e essa diferença de valor atribuímos aos resultados da Lava Jato”, explica.
Entre 2014 e 2017, por conta da operação, o Brasil deixou de investir R$ 172 bilhões, dos quais R$ 70 bilhões seriam destinados à construção civil – dados obtidos a partir do mapeamento de cada sentença da operação.
“Qual seria o mundo se não tivesse a Lava Jato? Seria um mundo com 4,44 milhões de empregos a mais, onde teria 3,6% do PIB [produto interno bruto] a mais nos cinco anos que a gente analisou, teria quase R$ 70 bilhões de aumento de arrecadação de impostos, teria quase R$ 180 bilhões que se deixou de gastar”, resumiu Horie.
Mais que destruir as empresas no passado, a Lava Jato destruiu também o futuro da construção civil, setor que teve dificuldade de alavancar novos projetos, que por muito tempo não pôde contar com construtoras para realizá-los e ainda hoje sofre com a escassez de empresas dispostas a realizar grandes obras de engenharia, já que o mercado se voltou para o segmento habitacional.
“Além do esvaziamento prático do setor de construção civil, você tem também a perda de qualidade do setor, por ser um setor que alavanca os outros”, conclui o convidado.
Assista a entrevista completa no canal da TVGGN no YouTube ou no link abaixo:
