TRUMP FAZ DISCURSO DE PÂNICO E TERROR UM DIA ANTES DE ELEIÇÃO DECISIVA NOS EUA
Presidente norte-americano, a julgar pelas pesquisas, deve perder controle sobre o Congresso, o que mudará radicalmente sua forma de governar. Veja a declaração
Diante do monumento icônico e às margens do espelho d’água recentemente restaurado, o tom do chefe de Estado oscilou entre a exaltação das intervenções urbanísticas que promoveu no Distrito de Colúmbia e um alarmismo sem precedentes voltado a galvanizar sua base eleitoral formada por extremistas.
“Como vocês sabem, este é o último dia das eleições de meio de mandato, as mais importantes eleições de meio de mandato, eu acredito, em nossas vidas”, afirmou Trump perante apoiadores e jornalistas.
Retórica de confronto e a demonização da oposição
A artilharia verbal do presidente concentrou-se na desqualificação completa da plataforma adversária. Ao tentar minimizar as projeções desfavoráveis que pesam sobre a base governista nas pesquisas de intenção de voto, Trump recorreu a uma narrativa de ameaça iminente para descrever o cenário caso a oposição conquiste o controle das casas legislativas.
“O Partido Democrata lançou a chapa de candidatos mais extremista e perigosa da história americana. Estes são os candidatos mais perigosos que já foram apresentados”, declarou o mandatário, buscando enquadrar a votação desta terça-feira (3) não como um escrutínio sobre a sua gestão, mas como um plebiscito de sobrevivência para o seu projeto político.
O desespero da retórica presidencial encontra amparo nos números das pesquisas de opinião. A aprovação de sua administração despencou para os patamares mais baixos de todo o mandato, atingindo um índice de rejeição de 66% em levantamentos recentes realizados pelos institutos Reuters/Ipsos. A impopularidade crescente é alimentada pelo custo de vida pressionado e por incertezas econômicas que fragilizaram a posição do Partido Republicano junto ao eleitorado moderado e independente.
Risco da perda do Congresso e a governabilidade sob ameaça
As eleições renovam integralmente as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos deputados cumprem mandatos de dois anos, e 35 das 100 vagas no Senado, onde o mandato é de seis anos. Atualmente, o Partido Republicano desfruta de maioria em ambas as Casas, garantindo ao presidente margem de manobra para aprovação de decretos, nomeações e reformas orçamentárias.
No entanto, o cenário desenhado pelas sondagens pré-eleitorais indica uma alta probabilidade de vitória dos democratas na Câmara dos Representantes, além de uma disputa acirrada e voto a voto pelo controle do Senado. A perda da maioria na Câmara transformaria radicalmente a dinâmica de poder na Casa Branca. Sem a hegemonia legislativa, o governo Trump enfrentará a paralisia de suas principais pautas de infraestrutura e corte de impostos, além da perspectiva de uma enxurrada de investigações parlamentares e convocação de ministros.
A eventual divisão do Congresso também alterará o comportamento dos mercados financeiros globais. A definição sobre quem controlará o orçamento norte-americano dita a trajetória do endividamento público, os juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e a volatilidade do dólar, com potenciais repercussões sobre economias emergentes, como a do Brasil.
Impactos colaterais e o efeito sobre o mercado brasileiro
A disputa no Capitol Hill ressoa diretamente no cenário econômico brasileiro. A transmissão de choque das midterms para o Brasil ocorre via ajustamento de juros e prêmio de risco.
Decisões de um Congresso hostil que resultem em entraves à arrecadação ou na ampliação involuntária dos gastos públicos norte-americanos elevam as expectativas de inflação e a rentabilidade exigida pelos investidores para manterem títulos da dívida dos EUA. Quando os rendimentos dos treasuries sobem, o capital internacional tende a migrar dos mercados emergentes de volta para a segurança dos ativos norte-americanos.